sábado, 28 de fevereiro de 2009

Escolhas

Como os Congressos são hoje sobretudo encenações consagratórias de escolhas previamente efectuadas e intervenções cuidadosamente preparadas para o palco mediático, o anúncio do cabeça de lista para o Parlamento Europeu adquiria uma especial projecção neste Congresso do Partido Socialista. A escolha foi aliás gerida de forma a criar expectativa e apanhar a comunicação social de surpresa. Esta prestou-se gostosamente a esse jogo, fazendo e desfazendo nomes até ao momento da revelação.
Evidentemente ninguém se preocupou em discutir os critérios e, uma vez conhecido o o resultado da escolha, os comentadores agarraram, vorazes, a presa, sondando as intenções e fazendo cálculos sobre o êxito da aposta.
Não estando em causa o mérito intelectual de Vital Moreira, o seus curriculum e prestígio académicos, a qualificação do seu trabalho como jurisconsulto, o brilho da sua acção quer como parlamentar quer como juiz do Tribunal Constitucional, a relevância da sua actividade cívica, a avaliação desta escolha do Partido Socialista deveria ser estabelecida em função dos objectivos que lhe estão subjacentes.
Sendo o principal objectivo do Partido Socialista renovar a maioria absoluta, distintos são não apenas os caminhos a que se atribui prioridade, como os riscos a evitar ou os métodos para estabelecer um controlo de danos. O Congresso de Espinho apontou como risco maior para o PS o do crescimento à sua esquerda, nomeadamente o crescimento polarizado pelo Bloco. Esse crescimento tem aliás sido em grande parte favorecido por Manuel Alegre. Neste quadro, a escolha de Vital Moreira é compreensível. Se eu não estiver enganado, iremos assistir a um duro combate entre Vital e Louçã nos próximos tempos.
De qualquer forma, a aceitação por parte de Vital Moreira deste cargo, tem um significado prático que não deve ser esquecido. Desde 1991, altura em que reconheceu publicamente que a sua militância política se faria na área do PS, Vital Moreira manteve-se (mau grado uma breve passagem pela Assembleia) fora do exercício de responsabilidades políticas directas. Abandonou agora esse distanciamento relativo.

3 comentários:

MT disse...

Nos últimos tempos, Vital Moreira tem sido o mais aplicado defensor público de Sócrates e do seu governo. Na sua crónica do Público, no seu blogue, nas comissões que tem integrado e nos pareceres que redigiu, essa tem sido uma constante. Não é um freelancer mas um compagnon de route. Tem sido um guerrilheiro do combate ao PCP, ao BE, aos Sindicatos (e ao PSD, mas menos). O que me espanta é que Sócrates o queira na Europa. Não lhe era mais útil cá dentro?
MT

João Ramos Franco disse...

Após o Congresso e o sentido para que ele aponta, vou aguardar uns dias,"o rescaldo", para manifestar uma opinião...
João Ramos Franco

Anónimo disse...

O escolhido tem-se fartado de "malhar" nos professores; é um entendido na matéria.

Que fique na paz da europa.

Abraço.

Paulo Prudêncio.