terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O Orquestrofone da Quinta das Cruzes

No Funchal, visita "obrigatória" ao Museu das Cruzes. Oportunidade para reencontrar e trocar impressões com a Dr.ª Teresa Pais, actual Directora, que foi minha aluna na Faculdade de Letras de Lisboa. O museu está em obras, prevendo-se a sua reabertura em Junho. O local é magnífico e o jardim merece visita por si próprio. Desta vez, com um motivo excepcional de atracção, o Orquestrofone, instalado junto da cafetaria.
Em meu benefício, o instrumento foi ligado e pude ouvir numa gravação da época, porventura de data anterior a 1910. Fiz uma gravação de amador que ficará aqui disponível quando tiver condições para a instalar no Youtube. Mas no site do Museu é possível obter esta informação e ouvir a Marselhesa.

O Orquestrofone é um instrumento de reprodução musical mecânico, demonstrativo da relação estreita entre a história da ciência, da arte e do entretenimento. 
Estes instrumentos, que estiveram desde sempre vocacionados para a exibição pública em amplos espaços (cinemas, feiras, salões de baile), tiveram uma manufactura largamente divulgada na Europa a partir de finais do século XIX / início do século XX.
A complexidade mecânica do Orquestrofone, bem como a sua potência sonora, encobertas por uma enorme estrutura em madeira, com fachada sumptuosamente esculpida e policromada, justificaram o seu uso como instrumento de exploração comercial da música, animando bailes e festas ao ritmo de polkas, valsas, entre outras músicas, constituindo por si só, a atracção principal.
[...] O Orquestrofone, que integra as colecções do Museu Quinta das Cruzes, é constituído por um corpo principal em madeira, profusamente decorado, e possui na face posterior um sistema mecânico de leitura de cartões perfurados, accionável por manivela com adaptação a motor eléctrico, que emite o sinal para os diversos instrumentos, permitindo a reprodução da música.
Esta é hoje uma peça de grande interesse patrimonial, não só por constituir uma raridade no mundo dos instrumentos musicais mecânicos, como também por documentar uma época exuberante, presente nas suas decorações neo-barrocas, nos seus bonecos mecânicos (autómatos) e nas suas músicas arrancadas aos salões e teatros.
Este complexo instrumento, comprado pelo 1º visconde de Cacongo, João José Rodrigues Leitão (1843-1925), na Exposição Universal de Paris, em 1900, encontrava-se na Quinta de Nossa Senhora Mãe dos Homens, quando foi adquirido em 1978 pelo Governo Regional, por iniciativa da direcção do Museu, ao herdeiro da família, senhor Ricardo Nascimento Jardim. Com esta aquisição foram também entregues diversos cartões de músicas que incluem valsas, polkas, rapsódias, marchas militares, hinos, bem como outras músicas clássicas e populares, perfazendo um total de 167 exemplares, destacando-se algumas pelo seu carácter inédito, como a versão d’ “A Portuguesa de Alfredo Keil de 1904, diversos Hymnos dedicados aos reis D. Carlos e D. Amélia, bem como os Hymnos Português Nacional, Ilha da Madeira (1905).


Para ouvir a Marselhesa tocada pelo Orquestrofone, vá por esta página do museu.

2 comentários:

MT disse...

Curiosidade pela gravação da música de Alfredo Keil antes de se transformar em Hino Nacional. Fico à espera que nos avise quando colocar a gravação no Youtube.
MT

Margarida Araújo disse...

Que maravilha.
Quando comentei mais em cima, não tinha lido este.
A aluna que lá referes é por certo a minha querida colega Teresa.
Aqui é por certo.