terça-feira, 11 de novembro de 2008

De Lisboa às Caldas em 1817


Obra anónima constituida pelos diálogos entre dois doentes a caminho do hospital das Caldas em 1817. O autor glosa o tema da avareza e da cobiça, em tom jocoso. Particularmente interessante é o percurso dos viajantes. Vou tentar reconstitui-lo.
Partem de Lisboa pelo caminho de Loires. Avistam Santo António do Tojal. Passam pelos Moinhos da Agonia e pela Ermida de Santa Anna, onde fazem uma refeição. Seguem pela estrada da Cabeça (ou Cabeço) até à Estalagem da Cabeça, onde fazem outra refeição. Continuam pela Enchara, Mata da Guerra, até Runa (ou Ronha) onde pernoitam. No dia seguinte, vão pela Quinta das Lapas, Abrunheira, Quinta da Bogalheira, Casal de S. Gião, Casal dos Ferreiros até à Estalagem dos Fornos na Zambujeira, onde chegam já ao fim do dia e pernoitam. Ao terceiro dia, dirigem-se a Roliça, passam pela Columbeira, avistam Óbidos, entram na Igreja do Senhor da Pedra e fazem uma refeição nas imediações, antes de se deitarem ao caminho para a última légua deste demorado trajecto.
Ah, já me esquecia: os viajantes deslocaram-se em machos.

2 comentários:

Manuela Gama Vieira disse...

Nem de propósito!
Fez-me lembrar uma viagem que estou a programar....

Submarino Amarelo disse...

Não cabe essa estória num comentário, mas cento e sessenta anos depois cheguei a sair das Caldas, num comboio, às quinze e quinze e chegar a Lisboa um pouco depois da meia-noite. Não pernoitei a meio da viagem por pouco...
Na altura não compreendi nem aceitei, mas penso agora que era o início de um esforço da CP para preservar na linha do "faroeste" o nosso "acervo cultural", neste caso representado pela duração das viagens entre Caldas e Lisboa. Esforço que a Refer mantém nos dias de hoje!