quinta-feira, 2 de outubro de 2008

1 de Outubro

Também foi ontem o dia do idoso. Laura Martinho assinalou-o, enviando por mail um libelo contra a manipulação e violência exercida sobre idosos dependentes, em lares e instituições desse tipo. De facto, a designação "lar de idosos" cobre hoje por vezes práticas inescrupulosas, difíceis de identificar e punir legalmente. Mas Laura, segura da sua razão e dos factos que testemunhou relativamente a um seu padrinho, luta, com coragem e determinação, pela justiça.
Transcrevo aqui parte do texto que me enviou:
A violência com os idosos é uma violência exercida no silêncio porque estes já não t~em forças para se afirmar, e, se afirmam ou reclamam, dão-lhes uma "gotinhas" e passam a sofrer em silêncio "voluntário". [...]
Neste dia especial, a não esquecer, a não passar despercebido a quem trabalha na área das políticas sociais, fica aqui uma humilde mensagem:
Que velhice queremos? Que velhice defendemos? Que velhice apoiamos?
Que se faça algo em prol dos direitos dos idosos que sofrem, fechados "a sete chaves", a ingerir "gotinhas".
Investigar ... Há idosos condenados a morrer num sofrimento atroz porque a cegueira de alguns lhes rouba a liberdade, a autodeterminação, a dignidade. Há que pôr cobro a essa chacina, a essa destruição física e mental, exigir uma nova revolução, uma revolução ética por um mundo melhor, onde os idosos tenham direitos, cidadania.
Acredito que é possível mudar o mundo para melhor. Acredito que podemos contar com a força de todos nós para a criação de uma associação em defesa dos direitos dos idosos.
Uma associação capaz de mobilizar toda a sociedade civil com o objectivo de eliminar todas as manifestações perversas no tratamento dos idosos, institucionalizados ou não, apta a denunciar e promover a extinção de todas as empresas da morte, bem como a lançar campanhas de sensibilização junto da população, de todas as faixas etárias, no sentido de um maior respeito e afecto pelo idoso.

2 comentários:

J J disse...

Sou obrigado, por questões profissionais, a visitar alguns depósitos de velhos, verdadeiros cemitérios de vivos onde a morte deve ser uma libertação.
Nem todos, felizmente, mas as excepções são minoritárias e, geralmente, dispendiosas.
Vi muitos em que quinze ou vinte idosos, agrupados mas solitários, viam televisão enfiados um dia inteiro em salas com vinte e cinco ou trinta metros quadrados. Sabendo que o dia seguinte seria igual. E o seguinte. Até que os dias acabam.
Se a isto acrescentarmos os maus tratos, os castigos e a negligência de que são vítimas pessoas com pouca ou nenhuma capacidade de protesto ou reivindicação, estamos perante um quadro que nos envergonha a todos.

Manuela Gama Vieira disse...

Não obstante já estarmos a 30 de Outubro, mas porque trabalho na área das políticas sociais, não posso ser indiferente a este tema!
Verdade nua e crua...casas de esperar a morte! E a maioria não tem acordos com a Segurança Social??? Todos sabem, mas fingem que não vêm!