sábado, 12 de fevereiro de 2011

Ferreira da Silva

Não teve (ainda?) a finalização/inauguração que merecia. Não teve (ainda?) o plano de arranjos da zona envolvente que a integre na encruzilhada de espaços funcionais, de edifícios e de referências patrimoniais.
Em suma, não teve a consagração do olhar, da preocupação, do carinho que as intervenções artísticas de nível superior merecem. Refiro-me à fascinante obra que Ferreira da Silva ergueu nas Caldas da Rainha, entre a Mata e o Chafariz das 5 Bicas, o edifício administrativo do Hospital, o Museu do Hospital e das Caldas, as antigas lavandarias e o Hospital Distrital. É uma obra de quase duas décadas, na qual expôs todos os seus recursos plásticos, a suas diversificadas aptidões inovadoras e a sua extraordinária performance técnica.
O que ali está - uma notável instalação urbana criativa - não tem que pedir desculpa de existir, como se incomodasse quem tem de estacionar o carro ou transitar entre serviços. Honra uma cidade de artes, qualifica o seu espaço público, é um símbolo maior da sua capacidade de metamorfose. Pede a atenção da entidade que a encomendou - Hospital - e da que tem a responsabilidade da política cultural - a Câmara - para o que falta fazer. E o que falta fazer é apenas reconhecer o altíssimo valor - patrimonial, urbano e artístico - que foi colocado à disposição da cidade e dos cidadãos.













9 comentários:

pwps disse...

Não posso deixar passar sem uma confidencia, mais pessoal mas que ilustra o Artista e talvez quem somos, quando confrontados com a mudança.
Um destes dias ao cruzar-me com Ferreira da Silva, após alguns anos sem contacto, trocámos breve conversa sobre os nossos percursos. Numa tentativa, talvez, de voltar "às origens" eu reduzia o interesse das tecnologias em que trabalho, referindo que "nem tudo são rosas".
Ferreira da Silva refutou, liminarmente esta abordagem referindo que o futuro faz-se para a frente, procurando o que de interessante surge nele.
Onde terei perdido aquela vitalidade?
Paulo Soares

Isabel X disse...

Está em causa uma obra de intervenção urbana contemporânea, de contexto, que dialoga de modo criativo com a história e o significado do local, coisa (talvez) mais rara e com mais valor do que aquilo que se supõe (ou que as pessoas estão preparadas para reconhecer).

A construção dos jardins de água, obra dinâmica, cheia de movimento e de inesperadas interpelações, tem sido tão longa e difícil, que é preciso que tenha em si mesma muito valor para resistir a tanto abandono.

Pareceu-me um verdadeiro milagre como renasceu e se revelou tão fascinante (tomo a expressão de empréstimo) quando voltou a ser alvo da intervenção do artista. Cresceu como um organismo vivo, prometendo sempre um pouco mais, se é possível dizê-lo assim.

Mas lá continua, rodeada de automóveis, sem que a maior parte dos residentes tenha tido a experiência de vivenciá-la como seria suposto e desejável.

Somos todos, todos os caldenses, culpados, neste caso que nos envergonha. À excepção do Ferreira da Silva, claro, que está de parabéns pela bela obra que tem vindo a criar!

- Isabel X -

Joana disse...

Sim, acho que faz falta uma consagração pública, um marco de agradecimento e reconhecimento desta obra que todos podemos desfrutar.

Tenho alguma pena que a obra se dê como finalizada, pois tenho acompanhado o seu desenvolvimento como se de um organismo vivo se tratasse. Por outro lado terei muita alegria de vir a celebrar o seu nascimento.

Esta obra que deve orgulhar o seu autor é também motivo de orgulho para todos os caldenses que ficaram assim com mais um emblema desta cidade.
Joana Arroz

João B. Serra disse...

Comentários deixados na minha página do Facebook:

Um Bonito Apelo a uma Justa Homenagem, com um registo digno […]. Muito Obrigada pela Partilha!
Fátima Clérigo

Viva João; belíssimo; ainda noutro dia lá estive numa noite estrelada e por engano; ia à lavandaria ver teatro e estava fechada; ficámos por ali um bom bocado; aquele abraço
Paulo Prudêncio

Concordo inteiramnete com a opinião sobre a obra de FERREIRA DA SILVA.
A justiça demora sempre muito tempo a ser feita.
Luis Sá Lopes

Totalmente de acordo. Comentarei melhor no blog.
Também a obra do túnel vei dar uma alegria ao cinzentismos que geralmente estes espaços têm. A ligação das duas freguesias das Caldas, quer de carro quer a pé, tem agora mais uma obra do Ferreira da Silva, um pulsar dinâmico de cores, palavras e brilhos.
Margarida Araújo

Obrigada. Gosto muito do trabalho do Mestre. Vou partilhar no meu mural.
Ana Amendoeira

Belissima obra. Concordo. Vou partilhar.
Cristina Rolim

Ferreira da Silva é um Homem desassombrado, e eu agradeço-lhe por isso.
Amália Simões

Já está partilhado.
João Paulo Marques

Partilho...
Maria Morgado

Partilho
João Ramos Franco

Partilho
Manuela Gama Vieira

Gosto
Patrícia Martins

Gosto
Inês Moreira

Gosto
Salette Saraiva

Gosto
Olga Pereira

Gosto
Marias do Mar

Gosto
Luisa Arroz Albuquerque

Anónimo disse...

A magia do lugar
irradia a força dos elementos
água, terra, fogo....
interrompe-a, a magia do lugar, uma cortina
de indiferença....
de insensibilidade e de má vontade......

Duarante algum tempo acompanhei, pessoalmente, o Mestre na sua(nossa) obra.
O que mais me surpreendia era a força de FS.Uma força hercúlea irradiada de um corpo frágil, uma convicção de mestria humilde a contrariar a indiferença dos eternos críticos da espiral crítica.
O mestre gravou um livro, um livro que, segundo ele, não terá epílogo enquanto a cidade não resolver o conflito de personalidade que vive há algumas décadas, traduzido na omissão e branqueamento do seu centro histórico e da questão termal.
Ajudou-me a entender muita coisa, abriu-me novas vias no entendimento do que deve ser uma cidade(criativa), claro, mas também sobre o significado de "herança" de "passado", limpídos e cristalinos como a água que FS homenageia.
NB

VT disse...

Concordo com as observações efectuadas. Esta obra deveria ser obrigatoriamente incluída num percurso do património artístico da cidade das Caldas da Rainha - com tudo o que isso implica. Trata-se da maior obra de cerâmica de exterior - a nível nacional.
Iniciada no tempo do meu antecessor esteve muitos anos interrompida e foi retomada durante os 10 anos q estive como Pres. do C. Administração do CHCR ganhando novo alento - dando continuidade a uma postura própria de atenção à vertente cultural da Instituição. Foram vários os apoios solicitados a várias entidades locais e nacionais. Só algumas corresponderam. Há a lamentar que muitas empresas caldenses (?) - algumas com expressão nacional - não tenham contribuído.
Antes de me reformar e sair da Instituição tinha acordado com o Presidente da Câmara das CR a colaboração desta através da execução de projecto para a canalização/iluminação (que foi iniciado) bem como o pagamento total de uma dívida antiga da Câmara para com o Hospital relativa à cedência do antigo Hospital de S. Isidoro - para ajudar a terminar a obra. Desta quantia só foi enviada ao Hospital uma pequena "tranche" de 35.000 euros ficando a maior parte por pagar. A partir de Janeiro de 2009 desconheço desenvolvimentos.
No entanto há uma reflexão que poderá ser feita com Mestre F Silva. Será q uma das características principais das 4 Estações é precisamente o estatuto de inacabada? Assistimos durante muitos anos não só à vitalidade e empenho do artista mas também à sua insatisfação e constante procura de integrar novos elementos. Existiram várias datas previstas para a sua conclusão e inauguração/consagração que nunca tiveram lugar. Ou seja: será que para FS esta obra nunca estaria acabada? Julgo que cabe uma palavra ao actual C. Adm. do CHON e ao artista (a mais importante)que todos admiramos. Inaugurá-la tal como se encontra ou tentar mais uma vez a colaboração de caldenses e da Câmara para a terminar - já que o essencial está feito?
Um abraço
VT

Anónimo disse...

Agradeço-lhe João o ter-me incluido nesta mensagem! Por curiosidade, vi esta obra no Domingo, de passagem, imediatamente ao chegar as Caldas (ao dirigir-me ao Hospital onde a minha mãe se encontrava hospitalizada, entretanto ja esta melhor e em casa!!) Apesar das circunstancias as peças não conseguiram passar-me despercebidas... realçando-se simples e actrativamente na paisagem!! Para a semana que vem espero ter a disponibilidade necessaria para lhe dedicar mais atenção! Claro que a cidade lhe deve um justo reconhecimento... espero que aconteça brevemente!
Cordiais saudações!
São Caixinha (
Facebook)

Cesar Pratas disse...

Admiro a força criadora de Mestre Ferreira da Silva. Com ele convivi mais de perto no Cencal e acompanhei o desenvolvimento de algumas das suas obras.
Apaixonado pela vida e pelas coisas pequenas e grandes do dia a dia o Mestre da-nos a sua visão multiforme, rica e persistente da sua relação com o Cosmos. Mas o Mestre é também pela sua força anímica um grande "resistente" e soube manter o seu rumo independentemente de circunstâncias mais ou menos adversas. Que este apelo de João Serra acorde boas vontades para que a cidade se volte para o Artista e não se mantenha de costas voltadas para ele.


César Pratas

Lim>ho disse...

não há desculpa para que uma obra como aquela, nunca chegue a ser verdadeiramente finalizada, sequer condignamente valorizada

no entanto uma boa obra vale por si, e fala tambem por si, penso que todos lhe sabemos apreciar a originalidade