terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Recessão ou depressão?

Provavelmente já serão poucos os indicadores de saúde económica que resistem e não sabemos por quanto tempo ainda. É cada vez mais claro que o sistema financeiro entrou em colapso total e arrastou irremediavelmente a economia. Falar em recessão será dentro em pouco recorrer a um eufemismo tão cândido como era há três meses falar de estagnação a respeito da crise que todos os dias nos acordava com más notícias.
Estamos a entrar - já entrámos - numa depressão económica de que não sabemos quando sairemos. Talvez fosse oportuno começar a falar de austeridade, de cortes selectivos de despesa, de reorientação do consumo, em vez de supormos que a injecção de crédito no sistema bancário pode estancar o caminho descendente.
Se o deve e haver nacional há muito que deixava perceber que vivíamos acima das nossas possibilidades, esta não é altura para prolongar a ilusão.
O discurso da posse do Presidente da América foi um discurso mais próximo de Churchill dos tempos de Guerra do que das novas fronteiras de Kennedy.
De facto alguém tem de prometer "sangue, suor e lágrimas" e propor-se seguir em frente com esse programa de sacrifício e solidariedade.

4 comentários:

Anónimo disse...

Meu Caro Professor
Não podemos falar de recessão ou depressão, mas sim de uma outra coisa iniludível que é uma esquizofrenia global, completamente nova, com sintomatologia díspar e absurda, sem diagnóstico, com arsenais terapêuticos inexistentes, e lamentavelmente de prognóstico muito reservado......
Para agravar esta doença, e não obstante serem conhecidos alguns dos sintomas já muito evidentes, falência do sistema financeiro mundial, descrédito dos auditores e reguladores, ausência de saberes e competências para lidar com a situação, o desemprego galopante, e pior que tudo, haver muito pouca gente a falar verdade.
Vamos ter que fazer em três duríssimos anos, pelo menos, aquilo que não foi feito em décadas de um modelo económico mundial, que já todos percebemos que não é sustentável, vai ser muito mais que os seus “ Sangue, Suor e Lágrimas”, vai ser finalmente, anseio, uma Nova Ordem Económica Mundial....mas, e nestas coisas há sempre um mas, com que Valores, com que Ordem Social, com que Sistemas Políticos, e com que Lideranças e referenciais Geo-Estratégicos.....?

Vamos ter que reinventar tudo.... e com o seu “O que eu andei...”, podemos, devemos, ajudar a criar uma Sociedade Civil com Consciência Crítica, que participe activamente, sem egoísmos e interesses inconfessáveis a preparar-nos para este novo mundo, sem messias.... e confrontados connosco próprios.

Conte comigo que eu Conto Consigo, para este andar em trilhos de desassossego

PSimões

Anónimo disse...

Li no obeco.planetaclix.pt um texto interessante sobre a crise. Acho que dá para pensar.

Anónimo disse...

"Mas quem subiu jamais ao alto marchando pelo plano?"
Séneca (in Continuação)
MV

João Ramos Franco disse...

Talvez sim, uma Globalização absurda...
Na Globalização devia se ter contado especificidades sociais e económicas dos Países que povoam o nosso Planeta e á partida isso não foi feito. Que fazer agora...
João Ramos Franco