sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

À janela (Henri Matisse)

Le violiniste à la fenêtre, 1918
Centre Georges Pompidou

2 comentários:

João Ramos Franco disse...

Ao olhar o violinista, "À janela (Henri Matisse)" , veio-me de repente este poema de Fernando Pessoa à memória, se me perguntares porquê, dir-te-ei: Ainda estou a pensar.
João Ramos Franco
Liberdade
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O Sol doira
Sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Eduardo Santana disse...

Adorei a ligação do poema de Fernando Pessoa com a Obra de Henri Matisse, Abraços.