que mansamente escuta cada nota
e olha para os bemóis e sustenidos
ouvindo e vendo coisa mais remota.
E estão livres de engano os seus ouvidos
e suas mãos que em cada acorde acordam
os sons felizes de viverem juntos.
"Meu interesse é de desinteresse:
pois música e instrumento não confundo,
que afinador apenas sou, do piano,
a letra da linguagem deste mundo
que me leva a conviva sobre-humano.
Oh! que Física nova nesse plano
para outro ouvido, sobre outros assuntos..."
Cecília Meireles, Antologia Poética. Lisboa, Relógio d'Água, 2002.
