sexta-feira, 17 de abril de 2009

Dossier anti-corrupção

Nem sempre as crises são boas conselheiras, mas esta chamou para primeiro plano o tema da corrupção, do enriquecimento fraudulento, dos prémios e complementos salariais abusivos praticados em empresas beneficiárias de apoios estatais. A opinião pública manifestou-se, sobretudo na Europa, contra as práticas iníquas que, a coberto do liberalismo, se sobrepuseram aos princípios da ética republicana e da justiça na distribuição do rendimento.
Importaria que este tema fosse objecto de um esforço sério das instituições representativas no sentido da melhoria dos sistemas jurídicos, judiciais e penais nesse combate e não pura arma de arremesso eleitoral.
É recorrente na história: a percepção de que à crise da economia e da sociedade se soma uma crise de valores. Claro que se trata de uma crise das elites.
A questão essencial, parece-me, é porém da partilha da riqueza. Assistiu-se, sem sobressalto cívico, ao aprofundamento da desigualdade com a crise do Estado-Providência. Criámos a sociedade mais desigual de sempre. E não é aqui que reside afinal a origem da crise?

4 comentários:

Submarino Amarelo disse...

A injusta distribuição da riqueza é um problema anterior à crise, que esta veio revelar e agudizar. A solução encontrada foi injectar dinheiro dos contribuintes nos bancos, que o emprestam agora mais dificilmente aos mesmos contribuintes e cobrando-lhes o dobro do spread. Pensa-se, aparentemente, que esta medida resolverá o problema.

João Ramos Franco disse...

Uma crise não é boa conselheira para qualquer tomada de decisão. Sabemo-lo de quando estudamos, que em diversos passos da história quando os países tentam resolver assuntos sobre a pressão de crises, que nunca foi o momento mais indicado. As elites, se já é difícil de lidar com elas, mais se defendem nestes momentos e daí a partilha da riqueza se tornar mais difícil.
João Ramos Franco

PSimões disse...

Os Homens são capazes de distinguir, o belo, a dor, o esquecimento, a opressão, o sábio, a fome, a guerra, a finitude, a solidão e a Liberdade.

Os Homens foram capazes de criar Instituições, e de as destruir quando se tornou necessário.

As Instituições são capazes de promover a Justiça, conter a Ganância, promover Valores, buscar a Perfeição,

As Instituições e os Homens que as dirigem precisam de estímulos constantes, a crise actual constitui um momento único de observação de mudanças de paradigma e representam um estímulo para um momento de criação que queremos diferente mas não cuidamos, porque não sabemos, o quanto diferente ele virá a ser.... mais longo, mais confuso, mais complexo, que nos vai afectar porque nos desconforta, nos muda as rotinas, porque nos obriga a pensar, porque nos obriga a olhar o Mundo, os Homens e as instituições de forma nova, em que a Vida não é fácil porque bebemos uma Cola, porque corrigir não é ter o anti-virus actualizado, porque mudar de vida não é formatar o disco, porque ser sutentável não é reciclar os lixos, porque ser Cidadão não é viver na Cidade, porque ser sexualmente activo não é andar "Viagrado", porque a Vida para ser vivida precisa de um nexo, de um sentido...a Morte.

Estamos a viver algo novo debaixo de conceitos velhos, perdemos o tino, babamo-nos por uma nova moral redentora, sempre tão má conselheira....fingimo-nos surpreendidos e até estupefactos com as realidades que a crise nos destapou, mas que todos sempre soubémos que existiam e quanto vezes debaixo dos nossos narizes, indiferentes, e acomodados.

Chegou o desassossego!

E, atrevendo-me a citar o Prof. Doutor Eduardo Lourenço... " Até o Diabo quando chega a velho vira Sacristão"....


Meu Caro Professor João Serra, não tenho ideia se isto é postável, mas apreciava que pudessemos aprofundar isso da Ética Republicana, é como o anúncio da Nike "Just Do It"....como começar?, porque isto da corrupção é tão velho como a mais velha profissão do mundo.... e andamos a encontrar umas quantas "Bruxas" para queimar na Fogueira da Virtude e da Redenção.
Como é que o Novo nos tira o descernimento?

Um Abraço

PSimões

Isabel X disse...

Mas que comentário, o de P.S. Simões! Estava eu exactamente a pensar que merecia converter-se em post, como já tenho visto acontecer com outros comentários, neste blogue, quando me deparo com a frase:"não tenho ideia se isto é postável". Na minha singela opinião, que vale o que vale, nunca nenhum comentário o mereceu com tão evidente urgência!
- Isabel X -