sábado, 28 de março de 2009

À janela de Duchamp

Marcel Duchamp
Moulin à café, 1911

- Na altura em que terminou o Nu descendant un escalier, realizou o Moulin à café, que antecipa os seus desenhos mecânicos.
- É muito mais importante para mim. As origens são simples. O meu irmão tinha uma cozinha na sua pequena casa de Puteaux e teve a ideia de decorá-la com quadros dos amigos. Pediu a Gleizes, Metzinger, La Fresnaye e também, suponho, a Léger, que fizessem pequenas pinturas, da mesma dimensão. como uma espécie de friso. Pediu-me também e executei um moinho de café que fiz explodir; o pó cai ao lado, as engrenagens estão em cima e a manivela é vista simultaneamente em diversos pontos do seu circuito, com uma seta para indicar o movimento. Sem saber, tinha aberto uma janela para alguma outra coisa.
Esta seta foi uma inovação que me agradou muito; o aspecto diagramático era interessante do ponto de vista estético.
- Ela não tinha uma significação simbólica?
- Nenhuma. A não ser a de introduzir na pintura meios um pouco diferentes. Era uma espécie de escape. Sempre senti essa necessidade de escapar...

Marcel Duchamp, Engenheiro do Tempo Perdido. Entrevistas com Pierre Cabanne. Lisboa, Assírio & Alvim, 2002. p. 47-48.

Nota:
Em resposta a um "Submarino Amarelo".

2 comentários:

Submarino Amarelo disse...

O Yellow Submarine é todo ele um escape, lembra-se?

In the town where I was born,
Lived a man who sailed to sea,
And he told us of his life,
In the land of submarines,

So we sailed on to the sun,
Till we found the sea of green,
And we lived beneath the waves,
In our yellow submarine.

(E tive direito a duas respostas, um comentário e um post!)

Isabel X disse...

Parabéns Submarino Amarelo! Nem todos se podem gabar de tanto! É caso para dizer como costumam dizer os meus alunos: "Que bom para si!"
- Isabel X -