quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Portugal, por José Mattoso

Em Mértola testemunhou a desertificação crescente do interior. Agora,  no centro litoral, numa aldeia do distrito de Aveiro, assiste ao processo de metropolização urbana. Portugal continua a surgir-lhe como uma soma de diferenças, uma composição obtida por meios políticos, a que falta unidade. "Um país feito de bocados que nada consegue unir". Ou melhor, que só o centralismo do Estado, com a sua tradução em concentração das indústrias, da economia urbana, dominância política de Lisboa, força à união.

Vide entrevista a Carlos Vaz Marques, "Como é que Deus não intervém para parar estas coisas?" Revista Ler. Livros e Leitores, Setembro de 2010.

4 comentários:

Cláudia disse...

Se as pessoas pensarem quadrado, há muitos lados... E se pensar redondo, quantos lados há?
Pessoas encontram-se e perdem-se nas formas.
Forma de agir.
Forma de pensar.
Forma de sentir.
O mundo conhecia suas vertentes e princípios, e nada além da linha do horizonte, por que todos olhavam nesta direção. Havia esta unidade. Havia um pensamento de coesão, de participação e de domínio dos tratamentos das causas. Hoje é necessário sentir, por que nossa ignorância fora suprida, nosso olhar conhece a perfeição, mas o sentimento não.
Pensamentos redondos, unidade, sentimentos perfeitos... Perfeitos.

Deus mora na perfeição, e não na desavença.

Isabel X disse...

Não sou gnóstica. Mas sou crente. Profundamente crente. Se não sei o que Deus é, sei o que Deus não é. Deus não é (com certeza) um conjunto de regras morais.

Por muito que os moralistas (de serviço!), perplexos, pensem no que fariam no seu lugar (leia-se, de Deus!): muito melhor!

Quero ainda dizer que sou religiosa sem religião, o que é difícil - e pouco compreensível - para os outros.

Dentro desta heresia, sou primeiro pela imanência, à maneira de Espinoza, e só depois pela transcendência. Deus age por nosso intermédio. Somos em conjunto e em relação. Deus é para mim uma opção filosófica.

Não entendo a utilidade da perplexidade enquanto atitude. Nada se constrói a partir daí. Parece-me.

Ergamos os braços, como Moisés no Monte Sinai, sem desfalecer, sem os deixar cair, e alcançaremos o necessário...
(Talvez?)

- Isabel X -

Méon, disse...

Li essa esntrevista. Concordo com as suas considerações acerca dela.
Porque é que este país parece sem solução?

Cláudia disse...

No sentindo filosófico: em que a fé é uma conspiração para o bem.

Aristóteles - "l'homme est un animal politique "