quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Excerto

[...] Vivemos tempos inquietantes. O modelo da sociedade de consumo esgotou-se. Tanto que a minha geração a criticou, sem porventura ter podia antever o cortejo de implicações sociais que dela adviriam! E, provavelmente, sem ter sabido resistir aos cantos de sereia das suas benesses ilimitadas. Fizemos uma sociedade de consumidores com uma elite centrada em si própria e nos seus benefícios, uma sociedade que com escreveu Touraine, definiu como principal objectivo diminuir o tempo de trabalho na sua vida.
De alguma forma estamos hoje perante um desafio novo: repor a criação no lugar central da vida social. Não a inovação tecnológica, mas a inovação social e politica. Em vez de uma sociedade de consumidores uma sociedade de criadores.
[...] Oh, dir-me-ão, as coisas não são assim tão fáceis. A sociedade de consumo não criou apenas uma sociedade de consumidores, mas uma sociedade de consumidores atomizada, fragmentada, céptica em relação, ou mesmo de costas voltadas, ao espaço público. E é este afinal que temos de redescobrir e revigorar.
[...] Estamos demasiado habituados a que nos digam o que é bom para nós e o que devemos fazer para que tudo corra bem. Esta sociedade perdeu o sentido do risco e da iniciativa.
É aqui que estamos. Pedindo de novo aos intelectuais orientação e responsabilidade. Não nos omitindo. Percebendo que a República precisa mais de nós que nós dela.
29 de Novembro de 2010

5 comentários:

Méon, disse...

De acordo! A hora é de parar para pensar. Se ainda houver tempo...

Chantre disse...

E tudo com isto, o 370º aniversário do 1º de Dezembro passou ao lado. Estranho, numa "república" que se pela por "celebrações" de datas redondas! Ou talvez não.
Cumprimentos.

Paulo G. Trilho Prudêncio disse...

Viva caro João.

Excelente post, se me permite.

Vou levá-lo para não o perder. De vez em quando republico-o.

Aquele abraço.

Xico disse...

A república precisa mais de nós do que nós dela?...
Caro professor,
A sociedade de consumo também passa pela proliferacção de valores a la carte, e isso é muito culpa da esquerda chic.
Não vale a pena chorar sobre os disparates cometidos. Antes agarrar a vassoura e começar a varrer.
Nós precisamos de muito mais república, nem que tenhamos de ir buscar o rei para a defender como fazem os nórdicos.

Anónimo disse...

Caro Professor João Serra:

Em momentos distintos atrevi-me a sugerir que andávamos a tratar problemas novos com remédios velhos.....

Coisas de (de)formação profissional....

"Esta sociedade perdeu o sentido do risco e da iniciativa", pois é....e agora?
Eu estou no grupo dos não intelectuais.....,nunca pedi ao "mainstream" indicações nem sugestões....sempre corri riscos e tomei iniciativas...e a única coisa que preciso é de tempo....tempo para me ajustar, tempo para me (re)enquadrar, tempo pra (re)pensar o meu papel como cidadão e empresário....
(Re)pensar a Polis...numa altura em que" a República precisa mais de nós" .....? que nós dela....? Quando nos vergam ao capitalismo mais sem regras, mais abjecto....em que transformam uma crise (grave) do sistema financeiro, numa crise de dívida soberana dos estados....
Estes são tempos de mudança de paradigma, tudo mudou...., não sei mesmo se os "Novos Criadores" virão a ter espaço público para a sua criação....
Atrevo-me, porque acho que é atrevimento de ignorante, o que pensaria Marx desta implosão do Capitalismo?.....

Como vai ser possível nesta "bagunça" ou "atoleiro", como preferirmos, repensar uma nova sociedade.....
Democrática, Multicultural, Solidarária, Justa, Criativa e sem Hegemonias?

Vai ser preciso uma Guerra?

Um Abraço (Desas)sossegado

do

Paulo S