domingo, 3 de outubro de 2010

Dois erros

Há dois erros de perspectiva histórica muito comuns: um é o de projectar sobre o passado e os seus protagonistas problemáticas e opções que só no presente verdadeiramente se colocam. Faz da história um tribunal. O outro, de sentido inverso, é o que buscar no jogo das escolhas tomadas no passado lições para o presente. Faz da história uma moral.

4 comentários:

Isabel X disse...

A História é (também) uma maneira de pensar, na medida em que se pode pensar historicamente, ou não.

Mas há condições para que isso ocorra. O olhar sobre o passado deve ser limpo de preconceitos e de anacronismos. Os apontados neste post são frequentes mesmo entre alguns que se consideram "historiadores".

Há uma estranha e suposta superioridade moral por parte dos analistas da realidade, baseada na ignorância, "fazedora" de opiniões, que atinge, contamina e impede qualquer tipo de conhecimento.

- Isabel X -

Méon, disse...

Lapidar!
Concordo em absoluto!
Viva a República!

Cláudia Tomazi - Brasil disse...

A única maneira de honestidade quando nada sabe-se a respeito do tema, é não trair a certeza do erro. Qualquer comentário a respeito, seria apenas vaidade.
Dois erros = Um par

Chantre disse...

Um terceiro (permita-me, caro pofessor), e não menos enganador, é o de supor a possibilidade de um absoluto distanciamento crítico perante qualquer acontecimento humano, seja ele um objecto hitórico. Tente-se do mesmo uma descrição objectiva (?), e perdêmo-lo. Nenhum patamar de inquirição - na História, sobremaneira - é axiologicamente neutro; como nenhuma compreensão é possível sem um quadro de referências teóricas -nunca dedutíveis de axiomas supra-históricos, aliás. E é na presunção contrária que a ameaça ideológica melhor alcança os seus intentos.