domingo, 7 de junho de 2009

Luâ fika ku mi

Luâ fika ku mi más um kusinha
Dexâ-m lambuxa na bo,
Limia nha korpu ku káima !
Luâ dés ki témpu na aitura
Bu limia nórti, bu limia sul
Bu limia préta, bu limia bránka, Luâ !
Luâ riba riba mutu riba,
Pa riba simbrom ku tambarinha,
Riba trópa ku nhu pádri, Luâ !
Lua nóba sima Rikardina
Más rodónda ki Putchutcha
Xeia sima petu-Sheila, Lua !
Lua, limia riba, xeia!
Xeia, lua, limia, riba!

Mayra Andrade

sábado, 6 de junho de 2009

Memória, entendimento e vontade

O carácter de imagem sua pô-lo Deus porventura na alma do homem; porque se há-de entregar o governo a homens sem alma? - Sim, mas não só por isso. Não basta que o que houver de governar seja homem com alma; mas é necessário que seja alma com homem. Se tiver alma e boa alma, não quererá fazer mal; mas se juntamente não tiver actividade e resolução e talento de homem, não fará cousa boa. Deu-lhe Deus memória, entendimento e vontade; a memória para que se lembre da sua obrigação; o entendimento para que saiba o que há-de mandar, e a vontade para querer o que for melhor;  e não homens de uma só potência (que por isso fazem impotências) e faltando-lhe a memória e o entendimento só têm vontade.

Padre António Vieira, "Sermão da Dominga Vigésima Segunda "Post-Pentcosten", pregado quando o Estado do Maranhão se repartiu em dois governos". In Obras Escolhidas. Sermões I. 2ª edição.  Lisboa, Livraria Sá da Costa, 1996.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Europa

Chega ao fim a campanha para a Europa. As sondagens foram o principal protagonista. Como as  houve para todos os gostos, é difícil perceber quem vai sair vencedor e derrotado na noite dos resultados. Prevê-se que o nível de abstenção se mantenha elevado. Não creio que as sondagens sejam em si próprias motivadoras da participação eleitoral. O único tema verdadeiramente importante lançado na campanha foi o de um imposto europeu, imediatamente abafado no meio de vozearia geral.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Não vão deixar de me pertencer...

Foi buscar o lenço de assoar enorme, a cheirar a nicotina, e esfregou-me a testa e as fontes, a enxugá-las. Agora, antes de mais, acalma-te, Witt-Witt, um dia hás-de entender: aquilo que fizémos e juntámos não desaparece do mundo assim tão depressa. O nosso rasto fica mais tempo do que nós pensamos; tão depressa não se perde nada. Pensa bem: sei pouco do velho Frederiksen, que aqui vivia, mas ele media o filho na ombreira da porta, de seis em seis meses, e fez ali marcas com uma faca: ainda que seja só isto, alguma coisa ficou. Deu-me umas palmadinhas na coxa. Para que alguma coisa fique, disse ele, temos que não voltar a vê-la; há coisas que a gente tem que perder primeiro para as poder possuir sem cuidados. Quando eu penso. Podiam ser setecentos quadros, talvez até oitocentos. Não vão deixar de me pertencer, mesmo que eu nunca mais lhe ponha a vista em cima.

Siegfried Lenz, A Lição de Alemão. Lisboa, Publicações D. Quixote, 1991. p. 314-315.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A tertúlia do Arquivo

Acácio de Sousa fez da iniciativa "Uma Bica no Arquivo Distrital" de Leiria um exemplo e um caso. Levou ao arquivo um publico diversificado e participativo. Estimulou investigadores de origens distintas a apresentar os seus trabalhos e criou uma rede informal de utilizadores dos acervos do arquivo. As intervenções, na sua pluralidade, deram voz a saberes com expressão regional e metodologias renovadas. Ao longo de dois anos, sedimentou-se em torno das quartas-feiras, uma por mês, um espírito de tertúlia, agregando professores e investigadores, palestrantes e participantes, que raramente as instituições conseguem produzir e manter.
Estamos-lhe muito gratos pelo resultado do seu empenho. Aguarda-se com expectativa a continuação desta boa prática.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Avaliações

Aproxima~se o fim do semestre e, com ele, o termo dos processos de avaliação em que as escolas estão envolvidas. Professores avaliam alunos e alunos também avaliam professores. Na Faculdade de Letras de Lisboa, onde fui assistente (1980-1984), era costume os alunos de História, no último ano do curso, elaborarem uma pauta com a avaliação qualitativa e quantitativa por eles atribuída aos docentes que lhes tinham dado aulas. Guardei uma cópia de uma pauta que testemunha a minha passagem por aquela casa e a honrosa apreciação que os meus alunos me atribuíram. Recordo que alguns professores, menos felizes com os seus resultados, arrancavam furtivamente as pautas, que todavia eram repostas logo de seguida.
A fase mais intensa da avaliação, muito desgastante para ambos os intervenientes, tem um lado sempre muito positivo: é o momento em que a relação professor-aluno se estreita e se revela na sua dimensão mais exigente.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Pomar e Manuel de Brito


Pinturas, desenhos, catálogos, recortes de jornais, livros: a excelente colecção que dedicadamente Manuel de Brito, o galerista, reuniu sobre o artista que a um tempo representou e admirou. A partir de hoje no Centro de Arte Manuel de Brito, no Palácio dos Anjos, em Algés.

domingo, 31 de maio de 2009

Ultimos mandatos

Muitos dos candidatos às eleições autárquicas deste ano enfrentarão o desafio de um derradeiro mandato. Por efeito da aplicação da lei que condiciona o número de mandatos, alguns candidatam-se a um terceiro mandato, mas outros propõem-se desempenhar um quarto, quinto ou sexto mandato. Para estes, com uma longa permanência no cargo, a situação em que pedem aos eleitores a renovação de confiança é singular. No dia seguinte à reeleição deixam de poder ser sancionados. Sabem que o eleitorado já não deliberará de novo sobre a sua prestação. Serão presidentes mais livres? Ou menos responsáveis?

sábado, 30 de maio de 2009

No Armazem das Artes

Em Alcobaça, no Armazém das Artes: a história da Primeira República, entre a memória e a política, de 1945 a 1976.
Oportunidade também para rever amigos, em primeiro lugar José Aurélio.

Caras para a Europa

Depois de "Nós Europeus" e "Mais Europa" - baseados na tese porventura inverificável de que a palavra Europa mobiliza a cidadania - o PS colocou finalmente na rua cartazes com as fotos dos seus candidatos. É esta agora a orientação dominante do marqueting eleitoral: as caras dos candidatos (no caso dos de Nuno Melo e Miguel Portas acrescidas, de alteregos, respectivamente Paulo Portas e Francisco Louçã). Parece-me que o fenómeno da personalização numa campanha para o parlamento europeu nunca atingira tal dimensão.

Tango acordeão

Recolheu-se, entre aplausos, a orquestra "Silêncio". No entanto, à saída, O'Neill interpelava, sardónico, alguns soixantehuitards que trotavam, em solilóquio interminável, rua Voz do Operário acima:

Não o amor não tem asas
se tem asas são as mãos
que se enlaçam para a festa
maravilhosa do corpo
e entre elas o coração

coração acordeão

Alexandre O'Neill, Coração Acordeão. Lisboa, O Independente, 2004.p. 13

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Lembrança de Astor Piazzolla

Uma noite diferente e inesperada: Festival Internacional de Tango de Lisboa, na Voz do Operário, com convite da embaixada da Argentina (um dos primeiros Estados a reconhecer a nova República Portuguesa em 1910).


Astor Piazzolla, Libertango

Só posso pensar no mar

Começo agora a entrever o porquê destas substituições inconscientes e inevitáveis e empreenderia explicar-lhas se o flagelo de calores a que o Algarve vai sucumbindo me não delisse a vontade. É que é pavoroso e toda a inventiva se esvai na tarefa de lhe mitigar os horrores! Sonho a delícia de me sepultar, vivo, dentro de uma amorangada melancia... Vale-me a presença do mar e só posso pensar no mar... Que grande castigo seria passar sem ele! Eu não vivo contente em sítio donde lhe não veja luzir o azul por entre as árvores... É um segundo céu mais sugestivo por certo do que o outro. A gente do sertão não tem mais do que um céu, e o mais pobrezinho... A proximidade do mar é o único lenitivo possível à torreira do sol e a aragem que ele bafeja torna-se a benção do Verão. Era dever meu, preferindo tudo, celebrar condignamente o gosto de comer fruta dentro dum bote, à sombra do toldo branco, no mar do Algarve, e encarecer esse mar nos seus múltiplices aspectos e nas risonhas cenas de que é o duradoiro teatro iluminado, mesmo quando feito ria, na calma dos estuários monótonos.
[Portimão, Julho de 1901]

M. Teixeira Gomes, Agosto Azul. Obras Completas, vol I. Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2009. p. 389-390.
Rosa Nunes, Janela oceânica.

Vinho novo

Inauguração, no final da tarde quente, da XII Feira do Vinho do Ribatejo, em Alpiarça. Jantar na Casa dos Patudos, onde me coube a mesa Bordalo Pinheiro: bons amigos, partilhando o interesse pela instituição que José Relvas originou, colaborações diversas no estudo e valorização da sua obra, admiração e estima pela Presidente da Câmara e vereadora da Educação e Cultura, Vanda Nunes. E o prazer da conversa animada por 6 (seis!) vinhos novos do Ribatejo.
Confirmo que o novo vinho, obtido a partir dos modernos processos e com recurso a castas recentemente introduzidas, se vai substituindo ao gosto antigo e ganhando um espaço revigorado.
António Almeida Santos, jovial e afectivo, elegante e culto, na mesa Malhoa,  trouxe um brilho peculiar ao convívio alpiarcence de ontem à noite.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

A vitória de Pep Guardiola

Curiosa coincidência. Figo considerou agora terminada a sua carreira de futebolista. Pep Guardiola tinha sido a força moral do Barça, quando Figo e o Real Madrid lhe desferiram um dos mais duros golpes de sempre. Ontem teve a sua noite gloriosa.

À janela de Rosa Nunes

Janela de pedra. Falsa janela com rasgão de azul.
Antónia Rosa Coelho Soares é arqueóloga e exerce funções no Museu de Arqueologia e Etnografia de Setúbal. Rosa Nunes é o nome com que assina fotografias que podem ser vistas no seu blogue - escrita de luz - nesta galeria, nesta e nesta.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

À espera do Verão

Parece que chega hoje o Verão. A Margarida Araújo, minha fotógrafa preferida, encontrou, em Santa Cruz, um bom poiso para quem queira esperar por ele.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Sindicatos e voto

A prática sindical em cuja formação, após o 25 de Abril, participei entendia o sindicalismo como apartidário. Recusava a tese dos sindicatos correias de transmissão de partidos admitida pelos partidos comunistas e institucionalizada nos países socialistas de partido único. Combatia a visão do sindicalismo como uma espécie de segunda linha da vanguarda a que estivessem confiadas as tarefas de enquadramento e disciplina reivindicativa das massas. Entendia o sindicalismo como uma plataforma de participação autodeterminada e crítica dos trabalhadores.
Ouço na rádio, às 9 da manhã, um dos principais dirigentes sindicais dos professores explicar que a oportunidade da greve de hoje se prende com o período eleitoral. Aos sindicatos compete contribuir para a clarificação das escolhas que os professores eleitores deverão adoptar. Os sindicatos estão assim reduzidos à função de sindicatos de voto.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Abstenção: uma bola de neve?

E se à força de tanto repetir que no próximo dia 7 se espera uma diminuta votação, afinal estivéssemos a contribuir para sublinhar e legitimar a vitória antecipada da abstenção?

domingo, 24 de maio de 2009

Dentro de caixas de vidro

Agora tinha os pés completamente mortos, os joelhos funcionavam como dobradiças velhas, os rins só actuavam quando lhes apetecia, mas o coração persistia teimosamente em continuar a bater. O passado e o futuro eram a mesma coisa para ele, uma esquecida e outra não recordada; não tinha mais noção da morte do que um gato. Todos os anos, no Confederate Memorial Day, agarravam nele e levavam-no para o Capitol City Museum, onde era mostrado da uma às quatro num quarto bafiento cheio de fotografias velhas, uniformes velhos, artilharias velhas e documentos históricos. Tudo isto estava cuidadosamente guardado dentro de caixas de vidro, para que as crianças não lhes pusessem as mãos em cima. Ele envergava o uniforme de general oferecido na memorável estreia do filme em Atlanta e sentava-se, com um olhar carrancudo completamente fixo, dentro de uma área pequena cercada por cordas. Não havia nada que indicasse que estava vivo a nãos er um movimento ocasional dos olhos cinzentos já enevoados, mas uma vez, quando uma criança mais atrevida lhe tocou na espada, o seu braço saltou para a frente num instante e tirou a mãozinha dali com uma sapatada. Na Primavera, quando as casas antigas abriam para peregrinações, era convidado a vestir o uniforme e a sentar-se nalgum lugar mais conspícuo, para dar atmosfera à cena. Algumas dessas vezes limitava-se a sorrir raivosamente aos visitantes, mas noutras falava do evento e das raparigas bonitas.

Flannery O'Connor, "Um encontro tardio com o inimigo", in Um Bom Homem É Difícil de Encontrar. Lisboa, Cavalo de Ferro, 2006, p. 155-156.

sábado, 23 de maio de 2009

MANIFesta

Esta edição da MANIFesta veio até Peniche, o que me pareceu uma boa decisão, tanto da parte das entidades promotoras, como da Câmara que apoiou a iniciativa. Estive nas edições anteriores de Tondela, Amarante e Serpa. Reflectindo a evolução das preocupações dos intervenientes nos processos a que dá expressão, e edição de Peniche parece ser mais rica nas matérias que propõe a debate e menos rica na feira de produtos. As Iniciativas Locais de Emprego que constituíam o núcleo dinamizador da ANIMAR (congrega associações de desenvolvimento local), com a sua atenção virada para o artesanato e o património, retomando e revalorizando actividades tradicionais, viram o seu espaço hoje determinado pelos temas do empreendedorismo e do negócio. As vedetas de Tontela e Amarante foram a "In Loco", uma associação algarvia beneficiária do saber e da experiência de Priscila Soares e Alberto Melo, e as Capuchinhas de Montemuro, que em Vale Benfeito realizavam, com o apoio de designers de têxtil e moda uma renovação dos antigos tecidos e cortes serranos e, simultaneamente, davam vida a um projecto teatral envolvido na recriação de imaginários locais. Em Peniche discutiu-se sobretudo inovação social e políticas territoriais, agora que a crise global aí está, na sua dimensão mais brutal, e o programa Equal vai chegar ao fim, deixando saudades, e sobre o QREN se avolumam dúvidas e algumas desconfianças. Não ouvi Vieira da Silva, que, ao que me contaram, não se mostrou tão entusiasmado, como muitos esperariam, com os resultados dos processos de inovação social induzidos pelos processos locais, mas ouvi Jorge Lacão abordar com seriedade e convicção os problemas da igualdade de género e assisti a um seminário intitulado "Inovar para o desenvolvimento sustentável do território". Falei com muita gente e muito com alguns amigos que já não via há muito ou que, embora vendo, não tivera oportunidade de incluir numa conversa distendida. Um certo espírito de tertúlia foi recuperado nesta MANIFesta, o que foi sem dúvida agradável. Peniche, com o seu novo semblante aberto e acolhedor e a sua noite amigável foi um excelente anfitrião. O tempo não ajudou, obrigando ao cancelamento do concerto dos "Deolinda". Mas não perdi a orquestra "Nova Geração", no palco do Stella Maris, multicor e comovente.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Bénard da Costa

Era dos principais animadores do Tempo e o Modo que resistiu à fase da viragem à esquerda da revista  no final da década de 60 quando me apercebi da sua existência. Alguns dos meus amigos tinham sido seus alunos no Liceu Camões e não hesitavam em lhe atribuir o qualificativo de "o melhor professor que tivemos". Há tempos estive a rever a entrevista que João Bénard da Costa fez a Manoel de Oliveira onde todo o seu extraordinário saber cinéfilo e sobretudo a sua apuradíssima sensibilidade para a estética do cinema se revelam. Os seus livros de crónicas sobre filmes e actores são obras de consulta e de releitura.
Dirigiu o jornal de campanha do candidato presidencial Jorge Sampaio em 1995. Foi nessa altura que verdadeiramente nos conhecemos. Trabalhei com ele em múltiplos 10 de Junho. João Bénard sucedeu a António Alçada Baptista em 1998 na presidência da Comissão do dia 10 de Junho durante o dois mandatos do Presidente, de quem aliás era amigo pessoal. Os discursos que proferiu nesses dias são peças de antologia de uma retórica feita de alusões literárias, de referências cinéfilas, de observações políticas elegantes, de discretas embora pertinentes invocações filosóficas. 

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Na Escola Sebastião da Gama

Quando chegámos perto da escola, tive a impressão de já ali ter estado. Reconheci depois esse tempo já distante: um princípio de tarde chuvoso de Fevereiro de 1987, quando o cortejo fúnebre de Zeca Afonso saia do ginásio da Escola Sebastião da Gama em Setúbal.
O edifício é de 1955, como o atesta a assinatura da pintura parietal da autoria do pintor setubalense Luciano dos Santos (1911-2006), destinando-se inicialmente a Escola Técnica.
Numa das paredes laterais do pórtico do átrio, uma laje negra chama-me a atenção. Nela estão inscritos nomes dos que "responderam ao chamamento da pátria": antigos alunos da escola mortos, como militares, nas guerras de África. O primeiro de 1967, o último de Janeiro de 1974. 

quarta-feira, 20 de maio de 2009

A Primeira República vista da Segunda

Hoje à noite, no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha: uma tentativa de perceber não só o que diferencia - e que é muito - os dois regimes, mas sobretudo de que forma a memória do que se passou entre 1910 e 1926 esteve presente nas decisões tomadas pelos actores políticos, entre 1974 e 1976, acerca da configuração do novo regime democrático.
De manhã, às 10 horas, na Escola Secundária Sebastião da Gama, em Setúbal, integrada num ciclo de palestras sobre a História Política do Século XX,  intervenção sobre "Os regimes constitucionais de 1911 e 1976 numa perspectiva comparada"

terça-feira, 19 de maio de 2009

Fim de tarde

A lezíria entrou agora no seu máximo esplendor. A natureza responde ao trabalho secular do homem e desdobra-se em promessas.  Um viajante atravessa Alpiarça a caminho de Almeirim ao pôr-do-sol, em busca de continuidades. Respondem-lhe pássaros em voo baixo e um vento fresco que corre ao longo do rio.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Manuel Cipriano Gomes

Abertura no Museu de Cerâmica da Exposição sobre Manuel Cipriano Gomes, Manuel Mafra. Um ceramista profundamente inovador, no que o conceito também tem de descoberta de processos por cópia e imitação. Uma intuição rara para o processo de composição cerâmica, onde jogam cores, formas e interacção dos elementos da perspectiva e do relevo. Se a cerâmica é uma arte que se desenvolve na fronteira ténue entre a previsão e o acidente, uma arte de condicionamento de um certo tipo de acaso, Mafra foi um experimentador bem sucedido, um ceramista percursor da cerâmica moderna.
Esta Exposição tem o mérito de repor no seu verdadeiro lugar uma figura que se reporta à grande cerâmica europeia da segunda metade do século XIX, que fez entrar as Caldas nesse circuito. Para trás fica, espero que definitivamente, a tentativa injustificada de colocar Manuel Cipriano no roteiro da olaria oestina, à qual realmente não pertence nem nunca pertenceu.
Nas peças que agora podem ser apreciadas no Museu de Cerâmica, o visitante vai ser surpreendido pelo ritmo, pelo humor, pela ternura, pelo virtuosismo, pela acuidade de observação, pela imaginação, pelo bom gosto, pelo ilusionismo, pela teatralidade, pelo colorido das peças de Manuel Mafra.
Um palavra de apreço pelas afirmações adequadas e sensatas da Secretária de Estado da Cultura. Uma palavra de incomodidade pela estranha (e errada e injusta) omissão do facto de esta exposição se integrar na Festa da Cerâmica Caldas 2009. 

domingo, 17 de maio de 2009

Incerteza e risco: a redução de desastres


As Nações Unidas, através da agência internacional para a Redução de Desastres (UNISDR, United Nations International Strategy for Disaster Reduction) acaba de publicar um importante relatório sobre o tema: Global assessment report on disaster risk reduction: risk and poverty in a changing climate.
Outros documentos sobre a questão podem ser consultados aqui e aqui.

Mas

A estima pessoal e o apreço pela figura cultural e cívica não estão em causa. Dúvidas e perplexidades sobre a vontade e a oportunidade políticas de Manuel Alegre acumularam-se desde o momento em que decidiu apresentar a sua candidatura presidencial. A decisão recente de depor as armas é perfeitamente compreensível, mas só dá razão àquelas minhas dúvidas e perplexidades. 

sábado, 16 de maio de 2009

Peras de Louça

Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, Prato com peras, 1905
A convite da Confraria da Pera Rocha, formulado pelo Eng.º Torres Paulo, aceitei o desafio de fazer a "oração de sapiência" do encontro anual da organização. Escolhi como tema a representação da pera na cerâmica naturalista caldense, desde Manuel Mafra aos nossos dias. Aproveitei para dar um breve salto à pintura de natureza-morta de Baltazar Figueira e sua filha Josefa de Óbidos, da segunda metade do século XVII.
No enquadramento do anfiteatro de ar livre do Museu do Hospital e das Caldas, animado pelo coro dos Pimpões, espero que esta incursão das artes decorativas na gastronomia não tenha parecido despropositada nem ociosa.
Josefa de Óbidos, Natureza morta com frutos e flores, cerca de 1670

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Em Lisboa e Atenas

O 25 de Abril em Lisboa e Atenas.
De Nikias Skapinakis, o pintor ontem revisitado pela mão de Jorge Silva Melo (que também me facultou a reprodução digital deste quadro).
Para o Vasco Trancoso, que hoje recebe uma merecida distinção por décadas de serviço público e dedicação à cidade.

Skapinakis por Jorge Silva Melo

Presença na Cinemateca: Nikias Skapinakis, o Teatro dos Outros, de Jorge Silva Melo.
O filme (o autor chama-lhe documentário) com imagens belíssimas dos telhados de uma Lisboa envelhecida, onde há mansardas e janelas, gatos e homens que espreitam o céu, uma palmeira, ruas quase desertas, que o pintor, Nikias, avista do seu atelier (o antigo atelier de Columbano). Estas imagens a preto e branco, metáfora de um país sombrio condenado ao cinza pelo salazarismo, ecoam pela pintura de Skapinakis, essa sim a cores. Esse contraste, esse jogo que Jorge Silva Melo, manipula com a técnica do flash-back, revela os contrastes, as afinidades, as continuidades e as mudanças de direcção da obra do pintor. O ponto de partida, é também ele, um exercício magnífico de subtileza e interpretação: um conjunto de quadros apresentados por Nikias em 2006 na Fundação Arpad-Vieira da Silva intitulada "Quartos Imaginários", cada uma das telas dedicada a um pintor.
O ciclo "Retratos de Artistas" de JSM prossegue na próxima Segunda-Feira com Álvaro Lapa: a Literatura, e na Sexta, com Conversas com Glicínia Quartim e Bartolomeu Cid dos Santos: por Terras Devastadas.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A 13 de Maio

Jantar seguido de palestra na Casa Veva de Lima. Anabela Baptista, colega e amiga desde os bancos de escola, introduz-me neste espaço com marcas exóticas onde quinzenalmente se reconstitui o ambiente dos saraus e convívios culturais que Maria Ulrich organizava com a presença de sua mãe, Genoveva de Lima Mayer ou Genoveva Ulrich. O palacete dos Ulrich fica situado na rua Silva Carvalho, perto das Amoreiras, e é hoje património municipal. A animação da casa é assegurada pela associação Veva de Lima, promotora dos encontros regulares que referi.
Neste video e neste site dão-se a conhecer parte da casa, da sua história e da vida da instituição.
A palestra de ontem, a cargo do Prof. de Economia João César das Neves, teve por tema o culto mariano em Portugal. Na noite de 13 de Maio, falou-se da Terra de Santa Maria e das 21 festividades dedicadas à Mãe de Deus que a Igreja viria a decretar ser a Imaculada Conceição. Extraordinário!
Presença discreta mas significativa da cerâmica caldense na profusão decorativa dominada pelo tema obsessivo da borboleta e do cisne. De notar uma jarra de Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro e um "Papagaio" de Avelino Belo que me pareceu ter sido inspirado ou talvez mesmo reproduzir modelo de Manuel Mafra.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Raul Proença

25 anos depois, regresso à Escola Raúl Proença para participar, com a colega Celeste Custódio, num colóquio sobre o pensamento político e educativo do seu patrono, moderado por Isabel Xavier (que soma à condição, hoje, de colega a, bem mais penosa - para ela -, de antiga aluna). Nenhum dos presentes - excepto, creio, o Dr. Mário Gonçalves, à época Director do Centro Hospitalar das Caldas da Rainha - tomou parte na sessão solene em que o Ministro da Educação, Prof. José Augusto Seabra, descerrou o medalhão que passou a assinalar na Escola Secundária das Caldas da Rainha o nome do coordenador do Guia de Portugal. Uma geração nos separa desse momento que assinalou também uma viragem na intervenção intelectual na cidade. Há 25 anos participei nessa aventura, hoje estive presente na passagem de testemunho.

Defender a legalidade democrática

Se o Ministério Público é o órgão do Estado ao qual compete a defesa da legalidade democrática, quem superintende o Ministério Público nesse exercício, em nome do povo?

segunda-feira, 11 de maio de 2009

SLB

Diz o meu amigo Medeiros Ferreira, de quem, todas as Segundas Feiras na Antena 1, recebo uma surpreendente lição de saber e ironia, que vem aí Scolari. Acredito na fonte.
Que nos valha pois, inconformados sofredores benfiquistas, Nossa Senhora do Caravaggio!