Mas se se confirmarem as boas notícias, só posso exprimir o meu regozijo. E a minha confiança na competência e visão do Grupo empresarial que se propõe tomar conta dos destinos da Bordalo Pinheiro. Conheço-o bem, como conheço o seu líder e os seus principais responsáveis. Se as negociações em curso tiverem um bom desfecho, uma nova oportunidade se abre para este produto - a faiança decorativa de inspiração "palissy" - que singularizou as Caldas e a cerâmica portuguesa.
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Futuro para a Bordalo Pinheiro
Quero acreditar em boas notícias para a Bordalo Pinheiro. Não ignoro que a situação da empresa é crítica do ponto de vista financeiro e certamente frágil do ponto de vista económico. Que uma nova aposta pode implicar mudanças no modelo de gestão e até nas apostas estratégicas, na qualificação do produto, no sistema de distribuição e na racionalização da produção.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Património Bordalos
O Ministro da Cultura entregou ao Museu do Azulejo a condução do processo aberto na sequência de carta enviada pela associação "Património Histórico-Grupo de Estudos" - que pediu a intervenção do Ministério na salvaguarda do acervo patrimonial remanescente das antigas fábricas de Faianças das Caldas da Rainha e Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro Lda.
Três breves comentários a este propósito:
1º - A carta da associação PH foi enviada a 29 de Dezembro. O respeito pela iniciativa de uma entidade como o PH deveria ter feito ponderar o deputado António Galamba sobre a oportunidade da sua intervenção de 20 de Janeiro. Se uma entidade respeitável e competente entendera, sem qualquer publicidade, desencadear medidas para salvaguarda patrimonial, a sobreposição partidária é desnecessária e desajustada.
2º - A carta da associação PH, aliás redigida após consultas alargadas a diversas personalidades da área dos museus, foi correctamente endereçada e concordante com a legislação em vigor.
3º - Registe-se, por fim, que foi o Museu do Azulejo o escolhido para tratar deste assunto. De facto, o Museu de Cerâmica não tomou em devido tempo, como evidentemente lhe competia e era sua elementar obrigação, a iniciativa de organizar o dossiê de classificação do valioso património histórico dos Bordalos.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Na fábrica de Cabrita Reis
À terceira tentativa consegui. Da primeira, na noite da inauguração, estava tanta gente que não se percebia nada. À segunda, bati com o nariz na porta. Mas hoje pude observar detidamente a instalação que Pedro Cabrita Reis contruíu na Igreja de S. Tiago, em Óbidos, como evocação de Rafael Bordalo Pinheiro e da Fábrica de Faianças Bordalo Pinheiro.




Em primeiro lugar, há que dizer que PCR foi eficaz na escolha dos materiais e na reconstrução do ambiente fabril. Captou e devolveu em ironia o riso de Bordalo e irmanou-se com ele no excesso, nalguma turbulência criativa, na admissão de um lugar para o imponderável, o inesperado. A cerâmica é isso, não? Cabrita Reis fez bom uso (inteligente e criterioso) dos processos e produtos da cerâmica fabril de inspiração bordaliana.
Quanto ao entendimento do espaço, PCR não me "convenceu". Os materiais que dispôs na sala despojada da Igreja manifestam mais indiferença que procura de uma relação, mesmo que conflitual. Os ritmos das plataformas, marcados pelas lâmpadas de néon, são insuficientes para riscarem o espaço sagrado do templo. Este problema não parece ter sido encarado, pelo menos aprofundado.




segunda-feira, 24 de novembro de 2008
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
1º Centenário da Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro Lda
A inauguração da Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro L.da teve lugar a 5 de Novembro de 2008. Passou pois na passada Quarta-feira, o primeiro centenário desta empresa emblemática da cerâmica caldense.Para situar a fundação desta nova manufactura é preciso recuar a Janeiro (23) de 1905, à data da morte de Rafael Bordalo Pinheiro. Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, filho de Rafael, tomou conta dos destinos da unidade que seu pai dirigira desde 1884, denominada Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha. A sucessão foi considerada natural. Manuel Gustavo há muito que colaborava com seu pai, nomeadamente na actividade gráfica. Sucedia porém que sobre a Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha impendia uma velha hipoteca, no valor de 18 contos, contraída em 1889 junto de uma Sociedade que mais tarde a cedera ao Banco de Portugal. Em finais de 1906, decidiu este banco executar a dívida. Em Fevereiro de 1907, é realizado o auto de penhora, sendo apreendido o prédio da Fábrica. Em seguida, procedeu-se à sua venda em hasta pública, o que só veio a ser concluido a 12 de Janeiro de 1908, na 3ª hasta. Adquiriu a Fábrica de Faianças um investidor originário de Reguengos de Monsaraz, Manuel Augusto Godinho Leal, sogro de um médico do Hospital Termal das Caldas, Manuel António Martins Pereira. Godinho Leal era já proprietário de uma extensa área confinante com os terrenos da Fábrica de Faianças. Entre o novo proprietário da Fábrica e o filho e a viuva (Elvira Bordalo Pinheiro) de Rafael estalou de imediato um diferendo litigioso. Em causa estava a posse dos modelos e moldes, utensílios diversos, objectos e louças, livros, desenhos, ou seja o recheio dos edifícios. Os Bordalo Pinheiro entendiam que a hipoteca só abrangia o imóvel, pertencendo-lhes todos os bens móveis da empresa. Com esta questão entregue à justiça, Manuel Gustavo, com o apoio da sua mãe, requereu, a 24 de Fevereiro de 1908, autorização para montar uma nova oficina de cerâmica numa propriedade denominada "San Rafael". Esta propriedade, localizada nas imediações da Fábrica de Faianças, estava registada em nome de Helena Bordalo Pinheiro, também filha de Rafael. Manuel Gustavo dedicou a segunda metade do ano a organizar a nova unidade, a recrutar pessoal e a trabalhar em novos modelos. Para tal, contou com o apoio do Visconde de Sacavém, que colocou à sua disposição o Atelier Cerâmico que funcionava junto do seu palacete (hoje Museu de Cerâmica), distante, aliás, poucos metros de "San Rafael". A instalação concluiu-se em 5 de Novembro de 1908. A nova fábrica, ostentando na denominação o nome da família, Bordalo Pinheiro, foi durante muito tempo também conhecida por Fábrica "San Rafael".
Fotografia dos trabalhadores da Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro, Lda. Manuel Gustavo está sentado, ao centro da primeira fila, atrás dos 3 aprendizes.
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