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sábado, 14 de fevereiro de 2009

Esquinas

P. Lavery, Couple Dancing Tango, 1983

Esquinas

E. Hopper. Nightawks, 1942

Esquinas

Holiday, Dante Meets Beatrice, 1883

Esquinas

Aqui estará uma imagem de uma esquina qualquer de Buenos Aires. Não me dirão qual é. Pode ser a de Charhas e Maipú, a da minha própria casa; imagino-a repleta dos meus fantasmas, inextricavelmente entrando e saindo e cruzando-se. Pode ser a que fica defronte, onde há agora um grande edifício com rampas e havia um bairro pobre com vasinhos de flores nas varandas, e antes disso uma casa que ignoro, e no tempo de Rosas, uma cabana, com a vereda de mosaicos e a rua térrea. Pode ser a desse jardim que foi o teu paraíso. Pode ser a de uma pastelaria do Once, onde Macedonio Fernández, tão receoso da morte, nos explicava que morrer é o mais banal que nos pode acontecer. Pode ser a daquela biblioteca de Almafro Sul, onde me foi revelado Léon Bloy. Pode ser uma esquina sem casas, das poucas que restam. Pode ser a daquela casa onde María Kodama e eu trouxemos uma cesta de vime com uma leve gata abissínia que se chamava Ódin e que atravessara o Oceano. Pode ser a de uma árvore que nunca saberá que é uma árvore e que nos oferece a sua sombra. Pode ser uma das muitas que Leandro Alem viu pela última vez, antes da carruagem se fechar e do balázio que lhe foi suficiente. Pode ser a dessa livraria onde descobri, ao longo do tempo, duas histórias da filosofia chinesa. Podser a de Esmeralda e Lavalle, onde morreu Estanislao do Campo. Pode ser cada uma das que formam o espalhado tabuleiro. Pode ser quase todas e é assim o nunca visto arquétipo.

Jorge Luis Borges, Obras Completas. Vol III. Lisboa, Teorema, 1998. p. 454.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Esquinas

Robert Doisneau, Waiting, 1957

domingo, 9 de novembro de 2008

Esquinas de Álvaro Siza

1. Alvaro Siza (montagem efectuada para exposição realizada no Museu de Serralves (foto JBS)
2. Casa de Chá da Boa Nova, Leça da Palmeira, Matosinhos
3. Piscina de marés, Leça da Palmeira, Matosinhos
4. Edífício da Boavista, Porto
5. Bairro social em Haia, Holanda
6. Bairro social da Malagueira, Évora
7. Requalificação de S. Victor, Porto
8. Pavilhão de Portugal, Expo 98, Lisboa
9. Igreja de Santa Maria, Marco de Canavezes
10.Centro Galego de Arte Contemporânea, Santiago de Compostela
11.Serralves, Museu de Arte Contemporânea, Porto
12.Faculdade de Arquitectura do Porto
13.Reservatório de água, Universidade de Aveiro (foto JBS)














domingo, 26 de outubro de 2008

As esquinas de Pancho Guedes

Amâncio d'Alpoim Miranda Guedes, conhecido por Pancho Guedes, nasceu em Lisboa em 1925. Mas a sua actividade de arquitecto desenvolveu-se sobretudo em Moçambique e na África do Sul.
Em Lourenço Marques, onde trabalhou quase 25 anos (entre o princípio da década de 50 e 1975) deixou marca em toda a cidade. Marca de uma criatividade exuberante aliada a um exigente rigor formal, onde a arquitectura é anfitriã de outras artes, nomeadamente a pintura. Pancho Guedes deu um contributo fundamental para materializar na cidade o cosmopolitismo de que justamente se orgulhava, ao mesmo tempo que ajudou a projectar na região e fora dela os valores da singular criatividade dos seus residentes.
Conheço mal Maputo, que apenas pude visitar por duas curtas ocasiões. O suficente, porém, para a ter como inesquecível. Houve duas pessoas que me ensinaram a amar esta cidade onde quero voltar. Pancho Guedes é evidentemente uma delas.




Durante vinte e cinco anos em Moçambique, inventei e construi edifícios suficientes para formar uma cidade de tamanho considerável. Uma cidade imaginária, mas bem provável, caótica e composta de memórias, uma cidade de várias pequenas e dispersas facilidades de regularidade obsessiva [Pancho Guedes, An Alternative Modernist, 2007]











sábado, 18 de outubro de 2008

Esquinas de Alesund

23 de Janeiro de 1904, a cidade norueguesa de Alesund, ficou praticamente destruida por um incêndio. Os seus quase 12000 habitantes viviam em casas de madeira.
No dia seguinte, porém, todos se mobilizaram em torno da reconstrução. As autoridades planearam uma nova cidade, procurando compatibilizar uma identidade comum com a individualidade de cada uma das edificações, agora construídas em pedra e em tijolo.
O plano foi executado rapidamente: entre o Verão de 1904 e o Outono de 1907. Muitos dos arquitectos chamados a intervir na reconstrução conheciam as propostas do movimento Arte Nova e desenvolveram-nas nos seus projectos. O resultado é que hoje a área central de Alesund é uma singular exposição de arquitectura Arte Nova.





quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Esquinas, a cidade como encruzilhada

"Quando me pediram para realizar uma exposição sobre as cidades, pensei de imediato que não iria reincidir numa apresentação temática dos "problemas" urbanos (infraestruturas, habitação, periferias, renovação, etc.),  evitando igualmente fazer uma leitura tecnocrática (que falasse, por exemplo, de fluxos, mutações, reflexos ou margens). Pensei, antes, em dar a ver a cidade de forma muito concreta, material e tangível, algo que que valorizasse mais os sentidos do que a abstracção, muito mais o lado político que o lado mecânico. Pensei então no interesse figurativo das esquinas, na condição da esquina como paradigma da diversidade urbana, arquitectónica, cívica e cultural.
A diversidade cultural é um facto urbano. No mundo contemporâneo, onde mais de 80% da população vive em cidades (e a restante não tardará a deixar-se assimilar por elas, a única garantia que permite transformar a solidão em intercâmbio e a ignorância em progresso).
Para mostrar a diversidade cultural não é necessário imaginar um mosaico de exotismos, mas apresentar as cidades como o lugar de cruzamento e mistura, lugar plural e contraditório por excelência, longe das simplificaçôes que muitas vezes fazemos."
Manuel de Solá-Morales, Comissário da Exposição Cidades, Esquinas, (Barcelona, 2004)


Alvaro Siza, Boujour Tristesse, Berlim, 1980-1984.