Em Lourenço Marques, onde trabalhou quase 25 anos (entre o princípio da década de 50 e 1975) deixou marca em toda a cidade. Marca de uma criatividade exuberante aliada a um exigente rigor formal, onde a arquitectura é anfitriã de outras artes, nomeadamente a pintura. Pancho Guedes deu um contributo fundamental para materializar na cidade o cosmopolitismo de que justamente se orgulhava, ao mesmo tempo que ajudou a projectar na região e fora dela os valores da singular criatividade dos seus residentes.
Conheço mal Maputo, que apenas pude visitar por duas curtas ocasiões. O suficente, porém, para a ter como inesquecível. Houve duas pessoas que me ensinaram a amar esta cidade onde quero voltar. Pancho Guedes é evidentemente uma delas.


Durante vinte e cinco anos em Moçambique, inventei e construi edifícios suficientes para formar uma cidade de tamanho considerável. Uma cidade imaginária, mas bem provável, caótica e composta de memórias, uma cidade de várias pequenas e dispersas facilidades de regularidade obsessiva [Pancho Guedes, An Alternative Modernist, 2007]






