Apaixonado pelo ciclismo, ao qual esteve ligado profissionalmente, e de que é ainda hoje um entusiasta na modalidade do cicloturismo, Mário Lino reuniu uma representativa colecção de objectos relativos à história da velocipedia portuguesa. Desde, pelo menos, 1986 que Mário Lino promove exposições para apresentação de sectores da sua colecção. Em 1990, publicou um obra intitulada Contributo Velocipédico onde relatava o resultado da sua dedicação à ciclofilia e do seu esforço pela inclusão no calendário do cicloturismo português de uma prova conhecida pela designação de Caldas-Badajoz. A importância desse acervo e das memórias que lhes estão associadas foi reconhecida por diversos protagonistas da modalidade, antigos praticantes e dirigentes. A Câmara Municipal das Caldas da Rainha recebeu esse espólio, destinando-lhe um espaço nobre do seu património urbano, inicialmente destinado a acolher a colecção de cerâmica adquirida a Artur Maldonado Freitas. O espaço recebeu a designação de Museu do Ciclismo.
A actividade de Mário Lino como coleccionador não se cingiu porém ao ciclismo enquanto modalidade desportiva ou de lazer, tendo-se dirigido noutros sentidos.
Em 1996 publicou uma brochura intitulada Figuras e Factos da História do Desporto Caldense, e, no ano seguinte, uma outra dedicada às duas salas de cinema caldenses, ambas então já desparecidas, o Salão Ibéria e o Cine-Teatro Pinheiro Chagas. Em 2005 publicou outra brochura, desta vez reconstituindo o percurso vitorioso de José Tanganho na volta a Portugal a cavalo, em 1925 (José Tanganho na volta a Portugal). Em 2008 envolveu-se nas comemorações da guerra peninsular e em discutidas reconstituições históricas alusivas às invasões francesas, na Redinha (Pombal) e nas Caldas, celebrações que deram origem a dois dvds e uma brochura (Caldas da Rainha: na rota do mito napoleónico). Mas o ciclismo não foi esquecido, tendo entretanto participado, em 2006, numa homenagem ao antigo campeão nacional Alves Barbosa, com a edição de uma brochura (Uma história pintada de amarelo). Antes disso tinha organizado uma exposição dedicada à história do ciclismo militar.
No edifício do Museu do Ciclismo, está actualmente instalada uma exposição temporária intitulada "Memórias do Tempo: dos finais da Monarquia à Primeira República", onde Mário Lino apresenta três colecções de documentos, jornais e objectos diversos relativos a três temas: D. Carlos e os últimos tempos da Monarquia, o Ciclo-Clube Caldense e a Primeira República (do 5 de Outubro até à Grande Guerra). Uma pequena brochura acompanha esta mostra. Visitei-a hoje, dia 26, com prazer. Tive o próprio Mário Lino como guia, explicando-me a origem das peças e o significado que lhe atribui.
Sou um admirador do coleccionismo e não me canso de salientar o quanto deve a investigação histórica à determinação, ao esforço de coleccionadores que têm salvo do esquecimento ou da destruição patrimónios de altíssimo valor. Nos casos, como o de Mário Lino, em que o investimento cultural sobreleva o financeiro, o apreço é ainda maior.
Mas um Museu não é apenas um espaço de apresentação de colecções. Deve ter uma estratégia e uma direcção científicas e claros objectivos culturais. A Câmara, se criou formalmente o Museu do Ciclismo, descurou totalmente os outros aspectos e não se percebe o que tenciona fazer a este respeito.