segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
À janela de Taraio (4)
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
À janela de Taraio (3)

O Luís foi sempre um homem íntegro, de família, amante dos espaços abertos, dos amanheceres e entardeceres, da luz especial que cada dia vai depositando na nossa vida.
Tinha um sentido estético superior e transportava-o de forma magistral para os quadros que pintava.
O Luís foi sempre (na vida, na família e nos quadros) a serenidade.
O mundo perde um excelente pintor, nós perdemos um amigo apaixonado pela luz e pelos outros.
Permanecer no coração de quem fica, não é morrer.
Até logo,
Para além de grande jogador de andebol da Académica, já tinha bem vincado o seu futuro profissional.
Queria ser pintor!
Aliás, já o era.
Deliciava-me vê-lo a desenhar durante aquelas aulas mais "chatas".
Adeus, Querido Colega de Turma
Carlos Rodrigues de Carvalho
Nunca pude infelizmente comprar nenhum dos seus quadros mas não os apreciava e admirava menos por isso. Era um grande pintor, como o João Jales diz, e não digo isto por vivermos ambos nas Caldas.
Não sei falar da sua morte como o João Jales, não tenho aquele dom da escrita, mas achei que devia escrever a tristeza que sinto e apresentar os meus pêsames à Família.
Pedro Simões
Só agora ouvi da São que o teu amigo Taraio faleceu e quero dizer-te o quanto lamento!
Que difícil seguir na vida quando sabemos que um amigo já não vai continuar a estar presente fisicamente...
E quanto dói perdermos tão definitivamente uma pessoa que nos é querida.
É este definitivo, tão radical, que acho imensamente doloroso.
Fiquei impressionada quando, graças a ti, tive a oportunidade de ver quadros dele...tão impressionada que falei deles à São
Eram tão macios e tão movimentados...as cores e a textura duma macieza invulgar.
Lindíssimos todos eles!
Acredito em vida depois da morte!
Acredito também que o Taraio vai continuar a acompanhar quem lhe era querido e agora mais livre e sem o sofrimento físico que a doença inflige.
Gostaria de poder suavizar o teu sofrimento mas também sei que só o tempo tem esse condão.
Assim resta-me desejar que em cada dia que passe a tua tristeza, vá sendo substituída por imagens alegres, vivas e felizes das vivências que partilharam.
Sê forte.
Um beijinho querido
Isabel Caixinha

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
À janela de Taraio (2)

Os artistas são imorredoiros!
Quer melhor recordação do que ficar com um bocado da alma de Taraio, ao VÊ-LO nos quadros que ele pintava "como se lhe arrancasse um pedaço cada vez que pintava"?
Tenho a certeza que sabe o que significará para si o seu AMIGO, mesmo morto (?)
E que, de morte em morte, a alma que há
Não cai num poço: vai por uma estrada.
Em Sua hora e a nossa. Deus dirá."
- Fernando Pessoa -
Isabel Xavier
Relembrarei a sua côr, opaca e virtuosa, de quem irradia vida e mais vida...
Abraço solidário para o João Jales e demais amigos e familiares.
NB
Na morte de um amigo sinto que estou presente, como que querendo perpetuar a amizade até à eternidade.
Mas o acaso traz nos amigos. Aquando da morte do Luiz Pacheco, eu e o João Serra estávamos presentes para prestar homenagem a um amigo comum ,e não nos conhecíamos. Foi aí que começou uma nova amizade, a do João Serra. Por ele tive conhecimento do Blog dos ex alunos do ERO e de ti.
Nada alterou a minha recordação do Luiz Pacheco e com gratidão digo para mim, “obrigado Luiz” (deste-me mais amigos).
Um abraço amigo do
João Ramos Franco
Era vizinho de Manuel Taraio e da sua família. Soube desta trágica notícia, o falecimento de Manuel Taraio.
Para além de ele ser um grande amigo e bom vizinho, Taraio era uma pessoa que sempre me pareceu calma, alegre e bem disposta. Gostava muito da natureza, e da sua belíssima família. Às vezes os meus pais e o resto dos vizinhos, juntavam-se com ele e todos falavam de tudo um pouco. Esse momento parecia magia.
Com duas filhas lindas e com uma mulher espectacular, tinha tudo para ser feliz...
Nós, não nos falamos muito, só a típica conversa de vizinho, mas não mais do que isso.
Cheguei a ir a casa dele, onde permaneciam expostos os seus magníficos quadros, todos com um bocadinho de si.
Tenho agora uma dor no coração, ao saber que Taraio, deixa em Terra duas filhas e uma mulher sozinhas e com muito sofrimento irreparável.
Não tenho mais nada a dizer sobre este acontecimento triste e desolador.
Só me resta dar os pêsamos à sua família e dizer-lhes que tenham força para superar este acontecimento. Eu sei que não é fácil, pois eu também já passei por isso, mas com outra pessoa, de outro grau de parentesco e foi horrível e a pior coisa que me aconteceu em toda a minha curta vida. Ainda hoje penso no meu avô todos os dias, e quando ganho alguma coisa dedico-a a ele.
E agora, para se alguma vez a família de Manuel Taraio ler este comentário, pensem no como que é que ele gostaria de vos ver. E não se esqueçam que ELE ESTARÁ A OLHAR SEMPRE POR VÓS.
Ass: João Carlos Almeida (5)
Lembro de amigo comum que me disse:
tens que conhecer um pintor que tem uma cores e uma luz...
Fica aqui um uma dor espaçada no meu coração. Uma saudade...
Não tive o privilégio de conhecer o M Taraio, mas através das suas palavras amigas fiquei a conhecê-lo um pouco.
Lamento muito.
Sei o que está a sofrer. Há relativamnte pouco tempo passei pelo mesmo: o meu marido, também partiu sem me avisar. É a dor que dói mais, não há outra que se lhe compare.
A saudade e as boas recordações perduram para sempre, o tempo encarregua-se de amenizar a perda, sempre o disse o nosso povo e é verdade.
Acreditemos que eles estão ali, apenas do outro lado do caminho, à nossa espera.
Os meus pesamos a todos quanto o amavam de verdade,
Um beijo,
m rodrigues
A este João, um beijo especial!
Conversávamos por vezes.
Sentidas condolências à família e aos amigos.
Paulo Prudêncio
À janela de Taraio (1)
O melhor pintor do mundo
Soube hoje que morreu o meu amigo Manuel Taraio. Há algum tempo que esperava a notícia que, pensava eu, seria o anúncio da sua libertação de um processo doloroso, de uma luta sem hipóteses e de um sofrimento sem motivo ou esperança. Mas o Manel vivo era um amigo, morto não sei o que é. E sofro, de forma egoísta, pela sua ausência.
Há uma semana, numa cama do Hospital das Caldas, sabendo de ligeira maleita que me aflige (coisas da idade….) ralava-se ele comigo e repetia, enfático e preocupado, uma série de conselhos para que eu me cuidasse. Tinha meia-dúzia de dias para viver e estava preocupado com o meu colesterol. Só ele.
Conhecemo-nos através de uma amizade e admiração comum pelo João Lourenço. Aproximámo-nos mais e acabámos por tentar encontrar um no outro o amigo perdido, quando o Joni morreu em 1996. Tentativa só parcialmente bem sucedida, porque há realmente pessoas insubstituíveis. E aqui estou eu, agora sozinho, a falar deles dois, levados cruel e ironicamente pela mesma doença.
Os quadros do Taraio têm todos um bocado da sua alma, como se lhe arrancasse um pedaço cada vez que pintava. Era um artista sofredor, torturado pelo receio da falta de inspiração e imaginação, sempre insatisfeito com as suas obras. Sem razão, diziam-lhe os amigos, mas ele duvidava sempre.
Lembro sobretudo os nossos almoços, as eternas discussões sobre tudo e nada, futebol e política, amizades e ódios, falávamos do seu fascínio pelo futuro e a sua ânsia pela inovação tecnológica, como se adivinhasse que não ia ver tudo o que seria natural ver e conhecer. Mas não é possível falar agora da nossa amizade. Não hoje.
Já doente, ainda pensava na próxima série de quadros. Procurava incessantemente novas imagens, ideias e fantasmas. Acreditou até ao fim que só morreria depois de amanhã, porque amanhã ainda ia pintar mais um quadro.
Era o melhor pintor do Mundo. Para mim, claro.

