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sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A hora da política (III)

De hora a hora, com uma insistência arrepiante, o Le Monde debita para a minha caixa do correio: queda bolsista, as bolsas afundam-se, descida vertiginosa dos indices bolsistas. De imediato pensamos nas perdas das grandes empresas cotadas em bolsa. Mas, e o chamado "capitalismo popular"? Nos últimos anos, praticamente todas as (pequenas) poupanças individuais foram convidadas pelos bancos a fazer aplicações em acções. 
Com o sistema financeiro atravessado por este movimento descontrolado, a economia (a que agora chamamos, "curioso nome", real) corre o risco de parar pura e simplesmente.
Não será ocioso debater agora virtudes e defeitos do neo-liberalismo? Eu sei que não há nada mais prático que uma boa ideia, mas, sinceramente, não parece mesmo prático tentar ir buscar ideias a esse baú perdido no sótão.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

A hora da política (II)

Em toda a Europa, a criação de emprego está em queda, como o investimento das empresas e o poder de compra das famílias (o comportamento de indicadores como a compra de automóveis ou de habitação bem o demonstra). O crédito, tanto ao consumo como ao investimento, está mais mais caro e menos acessível.  A diminuição das procuras internas soma-se à das procuras externas: em toda a parte, as exportações também caem.
Em França, o INSEA (Instituto Nacional de Estatística e Estudos Económicos) usa o termo recessão para se referir à evolução previsível da economia francesa e europeia do último trimestre deste ano.
Espero que não nos enredemos na discussão semântica: recessão ou recuo, recessão ou crescimento fraco, etc. Se é a hora da política é a hora de falar verdade e de explicar com rigor o que temos de fazer. Só pode haver confiança na verdade e esperança no rigor.