Contei-lhe que uma aluna, natural da Calheta, um dia me dissera que os pais tinham vindo pela primeira vez ao Funchal, depois de casarem, para tirar uma fotografia. "Sim - retorquiu-me a Dr.ª Helena Araújo - vinham por terra e por barco. Habitualmente uns meses depois do casamento. Chegavam ao Funchal, vestiam outra vez cada um as suas vestes de noivo, e iam ao atelier fotográfico fazer fotografias. É comum existir uma diferença de 5 a 6 meses entre a data do casamento e a data da fotografia dos noivos".
Mais à frente refere um outro impulso que marca a relação dos madeirenses com a fotografia, a "fotografia em pensamento". Como a expressão é absolutamente extraordinária e me era desconhecida, aqui fica o que dela entendi. Com os maridos imigrados, as mulheres dirigem-se ao fotógrafo com os seus filhos. A fotografia dará conta ao ausente de como a sua família se encontra. Se a mulher se veste de negro e os filhos de branco, isso significa que o marido faleceu. A fotografia em pensamento é a testemunha dessa perda.
