"Mas quando o tempo se desliga do tempo e se transforma em boca, grandes molares negros e garganta sem fundo, queda animal num estômago animal sempre vazio, engano com canções selvagens a sua fome. Face ao céu equipado para o nada, canto o canto do tempo. No dia seguinte, nada me fica destes gargarejos. E digo-me. A hora não é de canções, mas de balbuceios. Deixa-me contar as minhas palavras uma a uma. "Octávio Paz, traduzido por Mário Cesariny.
