sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Identidades(s)
Conversa (longa) com motorista de taxi, trinta anos, a caminho de Orly, em dia de greve geral.
- Se eu lhe perguntasse qual é a sua nacionalidade, que responderia?
- Sou argelino.
- Nasceu em Argel?
- Não. Nasci em França.
- Ah, então adquiriu a nacionalidade francesa?
- Eu nasci em França e portanto sou francês. Os meus pais e os meus avós também eram franceses porque nasceram em solo francês. A Argélia era francesa quando eles nasceram. Sou francês de sangue e de solo.
- Talvez eu devesse então ter perguntado qual é a sua identidade.
- Não sei responder. Não sei qual é minha identidade. Mas sei que sou argelino.
- Vai frequentemente à Argélia?
- Duas vezes por ano, pelo menos.
- Casou com uma argelina?
- Sim, "importei" uma mulher. A minha mulher nasceu mesmo na Argélia. Temos dois filhos.
- Portanto você é francês e sente-se também argelino.
- Sou argelino. Na Argélia tenho muitos amigos e família, tios e primos.
- É difícil ser aceite em França?
- Eu imponho-me.
- Se eu lhe perguntasse qual é a sua nacionalidade, que responderia?
- Sou argelino.
- Nasceu em Argel?
- Não. Nasci em França.
- Ah, então adquiriu a nacionalidade francesa?
- Eu nasci em França e portanto sou francês. Os meus pais e os meus avós também eram franceses porque nasceram em solo francês. A Argélia era francesa quando eles nasceram. Sou francês de sangue e de solo.
- Talvez eu devesse então ter perguntado qual é a sua identidade.
- Não sei responder. Não sei qual é minha identidade. Mas sei que sou argelino.
- Vai frequentemente à Argélia?
- Duas vezes por ano, pelo menos.
- Casou com uma argelina?
- Sim, "importei" uma mulher. A minha mulher nasceu mesmo na Argélia. Temos dois filhos.
- Portanto você é francês e sente-se também argelino.
- Sou argelino. Na Argélia tenho muitos amigos e família, tios e primos.
- É difícil ser aceite em França?
- Eu imponho-me.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Soyez les Bienvenus!
Fanny Bouyagui, artista multifacetada, criou em Roubaix (cidade paredes meias com Tourcoing) a Art Point M (M de Maison) e é responsável, com Sabine Duthoit, por La Braderie de l'Art.
Há cerca de um ano, Fanny, filha de um senegalês, seguiu para Agadez, no Niger, ponto de partida de todas as migrações africanas. Regressada, criou para a Gare Saint Sauveur, um dos espaços de exposição recuperados pela entidade que em Lille gere o pós-Capital Europeia da Cultura (*), uma instalação monumental intitulada 24 de Dezembro de 1957, onde compara, através de testemunhos impressivos, duas épocas: e do seu pai chegado a França em 1957.
A artista encontrou então, em Agosto de 2009, emigrantes que viajavam de camião no deserto da Líbia em direcção ao mar, que atravessavam de barco. Um ano depois, em Agosto de 2010, procurou-os no Sul da Itália, em Castel Voturno (porto no qual desembarcam grandes quantidades de emigrantes vindos de Agadez) e não encontrou nenhum.
(*) Lille foi Capital Europeia da Cultura em 2004. Uma entidade chamada Lille 3000 é responsável pela programação cultural e elan regenerador recebido de 2004. Há cerca de um ano abriu, na Gare Saint Sauveur, um terminal abandonado dos caminhos de ferro, um espaço de exposição, criação e convívio.
domingo, 10 de outubro de 2010
Para balanço
Dentro de uma semana teremos o resultado: fecho temporário ou definitivo?
Cornelis Norbertus Gysbrechts, Au dos d'une peinture, 1670
sábado, 9 de outubro de 2010
Guimarães 2012 e o Nobel 2010
Estimado Escritor Mário Vargas Llosa,
Dirijo-me a V. Ex.ª, no momento em que recebemos a notícia de que lhe foi atribuído o prémio Nobel da Literatura, para nos congratularmos com esta justíssima decisão da Academia Sueca e lhe endereçarmos as mais vivas saudações. Faço-o em nome pessoal e da Fundação Cidade de Guimarães, responsável pelo projecto Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura.
O tributo que prestamos à sua obra literária e ao seu empenho cívico, o apreço que nos merece a sua actividade de promoção da cultura e de defesa do valor supremo da liberdade, a sua dedicação à criação intelectual, ao pensamento critico e afirmação da pessoa humana foi o que nos autorizou a convidá-lo para colaborar com a Capital Europeia da Cultura 2012. É com compreensível júbilo que partilhamos a honra agora sentida por todos quantos nutrem pela obra múltipla de Mário Vargas LLosa, um dos mais importantes escritores ibero-americanos, um sentimento profundo de respeito e de admiração.
O programa cultural de Guimarães 2012 já contava com a disponibilidade de V. Ex.ª para intervir na identificação dos grandes temas da área do Pensamento, na qual, de forma particular, se reflectem as questões da agenda europeia, designadamente as que se prendem com a busca de inovação nos sistemas sociais e políticos.
Estamos convictos de que com o estímulo acrescido, resultante do prémio pelo qual felicitamos V. Ex.ª, Guimarães em 2012 espelhará de forma expressiva o universalismo, o espírito de tolerância e convivência democrática, a generosidade intelectual, o amor á língua, à escrita, à criação literária que são apanágio de V. Exª e da sua obra.
Cristina de Azevedo
Presidente da Fundação Cidade de Guimarães
Dirijo-me a V. Ex.ª, no momento em que recebemos a notícia de que lhe foi atribuído o prémio Nobel da Literatura, para nos congratularmos com esta justíssima decisão da Academia Sueca e lhe endereçarmos as mais vivas saudações. Faço-o em nome pessoal e da Fundação Cidade de Guimarães, responsável pelo projecto Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura.
O tributo que prestamos à sua obra literária e ao seu empenho cívico, o apreço que nos merece a sua actividade de promoção da cultura e de defesa do valor supremo da liberdade, a sua dedicação à criação intelectual, ao pensamento critico e afirmação da pessoa humana foi o que nos autorizou a convidá-lo para colaborar com a Capital Europeia da Cultura 2012. É com compreensível júbilo que partilhamos a honra agora sentida por todos quantos nutrem pela obra múltipla de Mário Vargas LLosa, um dos mais importantes escritores ibero-americanos, um sentimento profundo de respeito e de admiração.
O programa cultural de Guimarães 2012 já contava com a disponibilidade de V. Ex.ª para intervir na identificação dos grandes temas da área do Pensamento, na qual, de forma particular, se reflectem as questões da agenda europeia, designadamente as que se prendem com a busca de inovação nos sistemas sociais e políticos.
Estamos convictos de que com o estímulo acrescido, resultante do prémio pelo qual felicitamos V. Ex.ª, Guimarães em 2012 espelhará de forma expressiva o universalismo, o espírito de tolerância e convivência democrática, a generosidade intelectual, o amor á língua, à escrita, à criação literária que são apanágio de V. Exª e da sua obra.
Cristina de Azevedo
Presidente da Fundação Cidade de Guimarães
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Mundos paralelos
O princípio é também a entrada num mundo completamente diferente: um mundo verbal. Lá fora, antes do início, existe, ou supõe-se que exista um mundo completamente diferente, o mundo não escrito, um mundo vivido ou vivível. Passado esse limiar, entra-se noutro mundo, que pode manter com o primeiro relações decididas de cada vez, ou nenhuma relação. O início é um lugar literário por excelência porque o mundo lá de fora por definição é contínuo, não tem limites visíveis. Estudar as zonas de confins da obra literária é observar os modos como a operação literária implica reflexões que vão para além da literatura mas que só a literatura pode exprimir.
Os antigos tinham uma clara consciência da importância deste momento, e abriam os seus poemas com a invocação à Musa, justa homenagem à deusa que custodia e administra o grande tesouro da memória, de que fazem parte todos os mitos, todas as epopeias e todos os contos.
Italo Calvino, Seis Propostas para o Próximo Milénio. 3ª edição. Lisboa, Teorema, 1998. p. 150.
Os antigos tinham uma clara consciência da importância deste momento, e abriam os seus poemas com a invocação à Musa, justa homenagem à deusa que custodia e administra o grande tesouro da memória, de que fazem parte todos os mitos, todas as epopeias e todos os contos.
Italo Calvino, Seis Propostas para o Próximo Milénio. 3ª edição. Lisboa, Teorema, 1998. p. 150.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Merece todas as comemorações
José Pacheco Pereira, hoje na Assembleia da República:
É verdade que houve de 1910 a 1926, instabilidade, violência política, guerra civil, intolerância, repressão, manipulação eleitoral, actuação anti-operária e anti-sindical, censura, mas também é verdade que muitos republicanos, depois de afastados do poder, mostraram o melhor de si próprios.
Quando, depois de 1926, foram perseguidos, exilados, presos, impedidos de exercer a sua profissão, afastados das forças armadas, desempregados, insultados e agredidos, muitos republicanos, incluindo os chefes partidários, permaneceram fiéis a uma resistência tenaz, tanto mais valorosa quanto durou quatro décadas, em que muitos podiam ter-se acomodado e desistido. Em muitas terras de Portugal, e não só nas cidades, eles fizeram sempre a melhor propaganda que há, a propaganda pelo exemplo.
Talvez por isso, mais do que a Primeira República de 1910 a 1926, comemoramos hoje a sua imagem na resistência nos anos do salazarismo e do marcelismo, quando se via, como eu vi, nas romagens aos túmulos das vítimas do 31 de Janeiro no Porto, alguns velhos a chorarem quando gritavam emocionados “viva a República”. A revolução republicana já pouco dizia à minha geração, mas essa emoção dizia quase tudo. Esse “viva à República” era um puro acto de liberdade em tempos de servidão. E esse grito de liberdade merece todas as comemorações.
É verdade que houve de 1910 a 1926, instabilidade, violência política, guerra civil, intolerância, repressão, manipulação eleitoral, actuação anti-operária e anti-sindical, censura, mas também é verdade que muitos republicanos, depois de afastados do poder, mostraram o melhor de si próprios.
Quando, depois de 1926, foram perseguidos, exilados, presos, impedidos de exercer a sua profissão, afastados das forças armadas, desempregados, insultados e agredidos, muitos republicanos, incluindo os chefes partidários, permaneceram fiéis a uma resistência tenaz, tanto mais valorosa quanto durou quatro décadas, em que muitos podiam ter-se acomodado e desistido. Em muitas terras de Portugal, e não só nas cidades, eles fizeram sempre a melhor propaganda que há, a propaganda pelo exemplo.
Talvez por isso, mais do que a Primeira República de 1910 a 1926, comemoramos hoje a sua imagem na resistência nos anos do salazarismo e do marcelismo, quando se via, como eu vi, nas romagens aos túmulos das vítimas do 31 de Janeiro no Porto, alguns velhos a chorarem quando gritavam emocionados “viva a República”. A revolução republicana já pouco dizia à minha geração, mas essa emoção dizia quase tudo. Esse “viva à República” era um puro acto de liberdade em tempos de servidão. E esse grito de liberdade merece todas as comemorações.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Relvas e Benoliel
A fotografia de uma vida.
Legendas:
Na frente: "Cinco de Outubro de 1910. Benoliel."
No verso: "Fotografia tirada na janela da Câmara Municipal de Lisboa na manhã de cinco Outubro 1910 no momento da proclamação da República Portuguesa. Prova de cliché sem retoque. Benoliel"Fotografia tirada na janela da Câmara Municipal de Lisboa na manhã de cinco Outubro 1910 no momento da proclamação da República Portuguesa. Prova de cliché sem retoque. Benoliel”.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
domingo, 3 de outubro de 2010
Dois erros
Há dois erros de perspectiva histórica muito comuns: um é o de projectar sobre o passado e os seus protagonistas problemáticas e opções que só no presente verdadeiramente se colocam. Faz da história um tribunal. O outro, de sentido inverso, é o que buscar no jogo das escolhas tomadas no passado lições para o presente. Faz da história uma moral.
sábado, 2 de outubro de 2010
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Alternativas de orvalho e insolação ardente
Chama-se desavinho o aborto das flores que caem sem vingar seu fructo. Este fenomeno é algumas vezes o resultado de má conformação da flôr, adstricta a certas castas de vides; em tal caso está naturalmente indicado o abandonar essas castas, substituindo-as por outras, ou seja empregando a enxertia ou o bacello. Na maioria dos casos, porém, o desavinho é o resultado de circumstâncias atmosphericas diversas, taes como um abaixamento sensivel de temperatura, uma humidade prolongada, alternativas de orvalho e insolação ardente, ou ventos dessecantes no momento da floração.
Tem-se proposto contra o desavinho o emprego do desponte e da incisão annular, que teem uma verdadeira efficacia em certos casos, mas que são de uma applicação diffícil nas vinhas extensas e muitas vezes perigosas sob o clima meridional. As enxofrações dadas no cêdo, uma alguns dias antes da abertura das flores (ultima quinzena de maio), a outra nos meiados de junho, parecem ser o meio mais efficaz e mais prátco de impedir o desavinho.
Gustavo Foëx, Manuel Prático de Viticultura Para a Reconstituição dos Vinhedos Meridionaes. Vides Americanas. Submersão e Plantação nas Areias. Versão da 3ª edição Seguida de Varias Notas sobre Estudos feitos em Portugal por Alves Torgo. Porto, Livraria Civilização, 1886. p. 200-201.
Nota: esta transcrição não passou pelo corrector ortográfico do novo acordo!
Tem-se proposto contra o desavinho o emprego do desponte e da incisão annular, que teem uma verdadeira efficacia em certos casos, mas que são de uma applicação diffícil nas vinhas extensas e muitas vezes perigosas sob o clima meridional. As enxofrações dadas no cêdo, uma alguns dias antes da abertura das flores (ultima quinzena de maio), a outra nos meiados de junho, parecem ser o meio mais efficaz e mais prátco de impedir o desavinho.
Gustavo Foëx, Manuel Prático de Viticultura Para a Reconstituição dos Vinhedos Meridionaes. Vides Americanas. Submersão e Plantação nas Areias. Versão da 3ª edição Seguida de Varias Notas sobre Estudos feitos em Portugal por Alves Torgo. Porto, Livraria Civilização, 1886. p. 200-201.
Nota: esta transcrição não passou pelo corrector ortográfico do novo acordo!
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Portugal, por José Mattoso
Em Mértola testemunhou a desertificação crescente do interior. Agora, no centro litoral, numa aldeia do distrito de Aveiro, assiste ao processo de metropolização urbana. Portugal continua a surgir-lhe como uma soma de diferenças, uma composição obtida por meios políticos, a que falta unidade. "Um país feito de bocados que nada consegue unir". Ou melhor, que só o centralismo do Estado, com a sua tradução em concentração das indústrias, da economia urbana, dominância política de Lisboa, força à união.
Vide entrevista a Carlos Vaz Marques, "Como é que Deus não intervém para parar estas coisas?" Revista Ler. Livros e Leitores, Setembro de 2010.
Vide entrevista a Carlos Vaz Marques, "Como é que Deus não intervém para parar estas coisas?" Revista Ler. Livros e Leitores, Setembro de 2010.
E agora, economia?
Chegaram enfim as tão reclamadas medidas de austeridade. As reclamações contra as medidas de austeridade seguem dentro de momentos.
Como ninguém, aparentemente, já se ocupa da economia (curioso que ao novo porta-voz da Direcção do PS, Fernando Medina, secretário de Estado-Adjunto para a Indústria e o Desenvolvimento, tenha cabido, numa das suas primeiras aparições, defender as medidas projectadas para o orçamento), aqui deixo a pergunta de sempre: e a economia?
Claro que o que se passou ontem foi a resposta que a conjuntura política exigia: pressão do Presidente para a "verdade" e alertas sucessivos sobre a "insustentabilidade", pressão dos partidos à direita para "corte na despesa". Aliviada a pressão à direita, o Governo vai agora ter de enfrentar a esquerda. Outubro quente, pois. Situação complicada para Manuel Alegre que fica de fora da maioria presidencial e de governo que agora se criou.
Mas a questão de fundo será reposta mais à frente, quando, passada a crise orçamental, fizermos as perguntas certas: a economia resiste? Com o mercado interno anémico? É possível a recuperação com a disciplina orçamental da Alemanha? Com o Estado impedido de efectuar investimento? Quais os factores da retoma?
Como ninguém, aparentemente, já se ocupa da economia (curioso que ao novo porta-voz da Direcção do PS, Fernando Medina, secretário de Estado-Adjunto para a Indústria e o Desenvolvimento, tenha cabido, numa das suas primeiras aparições, defender as medidas projectadas para o orçamento), aqui deixo a pergunta de sempre: e a economia?
Claro que o que se passou ontem foi a resposta que a conjuntura política exigia: pressão do Presidente para a "verdade" e alertas sucessivos sobre a "insustentabilidade", pressão dos partidos à direita para "corte na despesa". Aliviada a pressão à direita, o Governo vai agora ter de enfrentar a esquerda. Outubro quente, pois. Situação complicada para Manuel Alegre que fica de fora da maioria presidencial e de governo que agora se criou.
Mas a questão de fundo será reposta mais à frente, quando, passada a crise orçamental, fizermos as perguntas certas: a economia resiste? Com o mercado interno anémico? É possível a recuperação com a disciplina orçamental da Alemanha? Com o Estado impedido de efectuar investimento? Quais os factores da retoma?
terça-feira, 28 de setembro de 2010
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
A República pelas "províncias"
A minha agenda de participações na evocação do centenário da República (com intervenções em colóquios, mesas-redondas, jornadas, etc):
2 de Outubro - Guimarães (Loja do Júlio)
4 de Outubro - Viseu (Teatro Viriato)
5 de Outubro - Viseu (Palácio do Gelo)
6 de Outubro - Alcobaça (Armazém das Artes)
15 de Outubro - Guimarães (Biblioteca Raúl Brandão)
22 de Outubro - Guimarães (Biblioteca Raúl Brandão)
25 de Outubro - Lisboa (Conselho Nacional de Educação)
27 de Outubro - Proença-a-Nova (Agrupamento Escolar)
29 de Outubro - Guimarães (Centro Cultural Vila Flor)
31 de Outubro - Alpiarça (Casa dos Patudos - Museu de Alpiarça)
5 de Novembro - Penedono (Câmara Municipal)
6 de Novembro - Leiria (IPL)
9 de Novembro - Lisboa (Livraria Almedina)
13 de Novembro - Caldas da Rainha (Centro de Formação de Professores)
2 de Outubro - Guimarães (Loja do Júlio)
4 de Outubro - Viseu (Teatro Viriato)
5 de Outubro - Viseu (Palácio do Gelo)6 de Outubro - Alcobaça (Armazém das Artes)
15 de Outubro - Guimarães (Biblioteca Raúl Brandão)
22 de Outubro - Guimarães (Biblioteca Raúl Brandão)
25 de Outubro - Lisboa (Conselho Nacional de Educação)
27 de Outubro - Proença-a-Nova (Agrupamento Escolar)
29 de Outubro - Guimarães (Centro Cultural Vila Flor)
31 de Outubro - Alpiarça (Casa dos Patudos - Museu de Alpiarça)
5 de Novembro - Penedono (Câmara Municipal)
6 de Novembro - Leiria (IPL)
9 de Novembro - Lisboa (Livraria Almedina)
13 de Novembro - Caldas da Rainha (Centro de Formação de Professores)
domingo, 26 de setembro de 2010
A força do Presidente
O Presidente decidiu intervir na crise orçamental, depois de verificar que não se confirmava o seu optimismo. De facto previra que pouco separava os dois maiores partidos. Talvez tivesse razão, mas para haver acordo, neste caso, teria de existir um mínimo de confiança por parte do challenger. É evidente que Passos Coelho não confia no Primeiro Ministro e não quer associar o seu destino a um compromisso que a iluda.
Que pode o Presidente fazer? Mais do que os seus poderes, no imediato, aparentemente indicam. Nenhum partido aprecia a presença do Presidente junto dos dossiês da governação, mas é evidente que este é, e sempre foi, uma questão essencial do Estado, no plano interno e no plano externo. Nenhum Presidente até hoje se conformou com a possibilidade de o Parlamento não deixar passar o Orçamento. Jorge Sampaio, por exemplo, aceitou o Orçamento votado por Daniel Campelo e só dissolveu o Parlamento em 2004 após garantia de que o Orçamento seria aprovado. O Orçamento é um tema que se integra na definição do "superior interesse nacional", que ao Presidente incumbe interpretar.
Há quem suponha que o actual Presidente, por estar constitucionalmente impedido, de até Março, dissolver o Parlamento, não dispõe de influência bastante para persuadir a passagem do Orçamento. Não creio. A força do Presidente vem do sufrágio popular (com o seu sucedâneo mediático, o grau de aprovação em sondagem) e da forma como assume a representação nacional, e não dos poderes constitucionais. Nos momentos de crise, sempre a orientação do Presidente obteve a adesão do eleitorado. A palavra do Presidente concita normalmente uma especial sintonia e uma compreensão mais espontânea. A crise orçamental pôs em evidência que o actual Presidente não podia deixar de se recandidatar e consagrou-o naturalmente como o Presidente de continuidade. A sua força vem daí.
Que pode o Presidente fazer? Mais do que os seus poderes, no imediato, aparentemente indicam. Nenhum partido aprecia a presença do Presidente junto dos dossiês da governação, mas é evidente que este é, e sempre foi, uma questão essencial do Estado, no plano interno e no plano externo. Nenhum Presidente até hoje se conformou com a possibilidade de o Parlamento não deixar passar o Orçamento. Jorge Sampaio, por exemplo, aceitou o Orçamento votado por Daniel Campelo e só dissolveu o Parlamento em 2004 após garantia de que o Orçamento seria aprovado. O Orçamento é um tema que se integra na definição do "superior interesse nacional", que ao Presidente incumbe interpretar.
Há quem suponha que o actual Presidente, por estar constitucionalmente impedido, de até Março, dissolver o Parlamento, não dispõe de influência bastante para persuadir a passagem do Orçamento. Não creio. A força do Presidente vem do sufrágio popular (com o seu sucedâneo mediático, o grau de aprovação em sondagem) e da forma como assume a representação nacional, e não dos poderes constitucionais. Nos momentos de crise, sempre a orientação do Presidente obteve a adesão do eleitorado. A palavra do Presidente concita normalmente uma especial sintonia e uma compreensão mais espontânea. A crise orçamental pôs em evidência que o actual Presidente não podia deixar de se recandidatar e consagrou-o naturalmente como o Presidente de continuidade. A sua força vem daí.
sábado, 25 de setembro de 2010
É a economia, estúpido!
A natureza "financeira" da actual crise orçamental - uma crise arrastada que, de facto, há muito se vem manifestando - não só agravou as dificuldades da economia portuguesa como parece ter calado as vozes que dela falam e para ela falam.
Com a subida extraordinária dos juros da dívida pública, conduzida pelos mercados de capitais e pelas agências, a punção sobre a capacidade de produção de riqueza tem sido avassaladora. Talvez esta performance merecesse uma palavra de apreço, uma palavra de estímulo e uma palavra de confiança. É a economia afinal o que resiste (ou não) à especulação e ao rating.
Há que reconhecer que, neste particular, o Primeiro Ministro tem estado muitas vezes demasiado só na defesa da economia portuguesa. E que o requerido entendimento inter-partidário talvez devesse deslocar-se da questão dos impostos para a questão da produtividade e da exportação.
Com a subida extraordinária dos juros da dívida pública, conduzida pelos mercados de capitais e pelas agências, a punção sobre a capacidade de produção de riqueza tem sido avassaladora. Talvez esta performance merecesse uma palavra de apreço, uma palavra de estímulo e uma palavra de confiança. É a economia afinal o que resiste (ou não) à especulação e ao rating.
Há que reconhecer que, neste particular, o Primeiro Ministro tem estado muitas vezes demasiado só na defesa da economia portuguesa. E que o requerido entendimento inter-partidário talvez devesse deslocar-se da questão dos impostos para a questão da produtividade e da exportação.
Ponto de ordem
O pequeno fluxo de comentários (publicados ou não) gerado por post anterior, relativo à reacção de Manuel Maria Carrilho à sua substituição na embaixada portuguesa junto da Unesco, revelou aspectos equívocos do que então escrevi. Quero deixar claro que nada tenha a opor à autonomia crítica do antigo Ministro da Cultura e não me solidarizo com a retaliação política exercida sobre a sua manifestação de inconformismo e discordânca. Mesmo que ponha em dúvida a sua oportunidade e até, por vezes, a sua justificação. O que está em causa, porém, na normal substituição de uma embaixador político por um embaixador de carreira, é uma opção de gestão do Ministério dos Negócios Estrangeiros absolutamente legítima. Outra coisa é o conteúdo do acordo político entre Manuel Maria Carrilho e o Primeiro Ministro na base do qual aquele concorreu à Câmara de Lisboa e deixou de integrar as listas de candidatos a deputados pelo Partido Socialista nas últimas eleições. Neste sentido, o que originou o protesto do ex-embaixador junto da Unesco não terá sido o ter sabido da substituição pelos jornais, mas o ter ficado desta forma a saber que, no imediato, o Governo nada tinha para, em troca, lhe "oferecer".
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Conselho
António Lobo Antunes ("Trabalho-Casa", Visão, 15 de Abril de 2010):
[...] e a do trabalho-casa, subitamente maternal, aconselhou-me
- Devia casar-se, sabia?
E talvez devesse casar-me, realmente, arranjar uma criatura em condições que me tirasse, em simultâneo, as espinhas do peixe e as da alma, me pusesse a pasta na escova e me tratasse por Biju. Quando eu era pequeno a mulher sumptuosa do farmacêutico tinha um cão chamado Biju. Ficava à janela, de Biju ao colo, a fumar cigarros lentos, inacessível, e eu cheio de formigueiros na planta dos pés. A propósito de casamento, e já que estamos nisso, a mulher do farmacêutico será uma criatura livre agora?
[...] e a do trabalho-casa, subitamente maternal, aconselhou-me
- Devia casar-se, sabia?
E talvez devesse casar-me, realmente, arranjar uma criatura em condições que me tirasse, em simultâneo, as espinhas do peixe e as da alma, me pusesse a pasta na escova e me tratasse por Biju. Quando eu era pequeno a mulher sumptuosa do farmacêutico tinha um cão chamado Biju. Ficava à janela, de Biju ao colo, a fumar cigarros lentos, inacessível, e eu cheio de formigueiros na planta dos pés. A propósito de casamento, e já que estamos nisso, a mulher do farmacêutico será uma criatura livre agora?
Os portugueses
Se há desporto que, aparentemente, atrai muitos de nós é a crítica aos "costumes" dos "portugueses". De certo modo, todos nos consideramos especialistas em "portugueses", uma categoria singular de seres originários de um pequeno território denominado Portugal. Em Portugal tudo muda - a demografia, o clima, o eco-sistema, a mobilidade, a paisagem social, a estrutura da economia e a organização política - menos os "portugueses". O atavismo é proverbial. Tanto quanto podemos recuar no tempo - lusitanos, celtas, povos que até desconheciam o nome "Portugal" - lá detectamos inalterados "defeitos" de carácter ou de comportamento, as mesmas "falhas" na vontade ou na inteligência, os mesmos "erros" de entendimento e de atitude. Não há nada a fazer quanto aos "portugueses": as continuidades abafam as rupturas, do fundo da caverna de Platão, a verdade recusa render-se à aparência. Nesta parecemos outros. Mas na realidade somos os mesmos. Sempre os mesmos.
José Manuel Fernandes, oráculo conhecido, no Público de hoje:
"Quarenta anos depois da morte de Salazar, o país que o aturou pacatamente mudou muito - mas sobretudo à superfície. Salazar já pertence à história, mas os defeitos portugueses que autorizaram o salazarismo continuam a apoquentar-nos. Todos os dias".
José Manuel Fernandes, oráculo conhecido, no Público de hoje:
"Quarenta anos depois da morte de Salazar, o país que o aturou pacatamente mudou muito - mas sobretudo à superfície. Salazar já pertence à história, mas os defeitos portugueses que autorizaram o salazarismo continuam a apoquentar-nos. Todos os dias".
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
O apelo de Soares
Segunda a Lusa: "Quero que eles se entendam pessoalmente e não só os dois partidos”, disse Mário Soares, em defesa de um acordo entre PS e PSD para aprovar o próximo Orçamento do Estado.
Mário Soares disse concordar com o apelo “à calma” feito pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.
Esta concordância inusitada de Soares com o actual Presidente não se destina certamente a criar dificuldades a Manuel Alegre.
Mário Soares disse concordar com o apelo “à calma” feito pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.
Esta concordância inusitada de Soares com o actual Presidente não se destina certamente a criar dificuldades a Manuel Alegre.
Quem "inventou" Terry Jones?
Vargas Llosa no El País de Domingo.
Cómo hemos podido llegar a una situación tal en que la iniciativa descabellada de un pobre infeliz, sin credenciales de ningún orden, ha podido poner en vilo al mundo entero pues, de materializarse, habría desatado una orgía de violencia terrorista en varios continentes? Según algunos, la responsabilidad es de los medios de comunicación, que, si hubieran actuado de manera más atinada, no habrían catapultado al pastor Terry Jones al centro de la actualidad, publicitando su amenaza como si ésta hubiera sido lanzada por una superpotencia atómica. Es verdad que diarios, radios y canales de televisión actuaron sin responsabilidad alguna, pero ésta no es la razón primera del escándalo, porque, en este caso como en muchos otros que padecemos a diario, los medios de comunicación no pueden actuar de otro modo. Están obligados a hacer lo que hacen porque eso es lo que esperan -lo que exigen- de ellos los lectores, oyentes o televidentes en el mundo entero: noticias que salgan de lo común, que rompan con la rutina de lo cotidiano, que sorprendan, desconcierten, escandalicen, asusten, y -sobre todo- entretengan y diviertan. ¿No es divertido acaso que un predicador pentecostalista de Gainsville, Florida, declare, él solo, como un Amadís de Gaula medieval, la guerra total a los cientos de millones de musulmanes que hay en el mundo?
Cómo hemos podido llegar a una situación tal en que la iniciativa descabellada de un pobre infeliz, sin credenciales de ningún orden, ha podido poner en vilo al mundo entero pues, de materializarse, habría desatado una orgía de violencia terrorista en varios continentes? Según algunos, la responsabilidad es de los medios de comunicación, que, si hubieran actuado de manera más atinada, no habrían catapultado al pastor Terry Jones al centro de la actualidad, publicitando su amenaza como si ésta hubiera sido lanzada por una superpotencia atómica. Es verdad que diarios, radios y canales de televisión actuaron sin responsabilidad alguna, pero ésta no es la razón primera del escándalo, porque, en este caso como en muchos otros que padecemos a diario, los medios de comunicación no pueden actuar de otro modo. Están obligados a hacer lo que hacen porque eso es lo que esperan -lo que exigen- de ellos los lectores, oyentes o televidentes en el mundo entero: noticias que salgan de lo común, que rompan con la rutina de lo cotidiano, que sorprendan, desconcierten, escandalicen, asusten, y -sobre todo- entretengan y diviertan. ¿No es divertido acaso que un predicador pentecostalista de Gainsville, Florida, declare, él solo, como un Amadís de Gaula medieval, la guerra total a los cientos de millones de musulmanes que hay en el mundo?
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
International Wine Challenge
Portugal viu distinguidos 11 vinhos (Trophy Results) pelo International Wine Challenge. A TSF entrevistou o responsável pelo vinho "Tributo", Rui Reguinga, o resultado de uma homenagem que prestou ao Pai, falecido durante a preparação da vinha, concebida em 2001 numa charneca de Almeirim. Rui contou que começara por intitular o seu projecto de "Robin dos Bosques", tão ingrata era a terra de areia e calhau rolado escolhida para a plantação. Uma prova de que os bons vinhos não são o resultado de boas terras, mas das terras apropriadas. Como sempre defendeu José Relvas, na sua luta contra a permissões de plantio em terras de semeadura.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Documentário sobre Alzheimer e Maragall
Carles Bosh acompanhou com uma Câmara durante dois anos, desde que lhe foi diagnosticada a doença de Alzheimer, o "bom gigante" que foi Presidente da Generalitad da Catalunha e Alcalde de Barcelona, Pasqual Maragall. No festival de San Sebastian, a decorrer, foi apresentado o documentário. Intitula-se "Bicicleta, cuchara, manzana". Notícia no http://www.elpais.com/articulo/cultura/Bicicleta/cuchara/manzana/humanidad/Pasqual/Maragall/elpepucul/20100919elpepucul_2/Tes.
O ovo ou a galinha?
Manuel Maria Carrilho quer fazer passar a ideia de que foi afastado do lugar de embaixador junto da Unesco por motivos políticos. Não sei se pensa (não o disse) que a sua nomeação tinha tido motivos políticos. Provavelmente, um misto de razões - políticas e não políticas - presidiu à nomeação e, agora, à não nomeação. Porque afinal, a decisão de não renovar o mandato a um embaixador é uma decisão normal. Também me parece absolutamente normal nomear Luis Filipe Castro Mendes para a representação portuguesa junto da Unesco. Trata-se de um diplomata com uma larga experiência, governativa e em posto, e um intelectual com obra literária de mérito.
Parece que há um livro de Manuel Maria Carrilho que é hoje distribuído. A publicidade está feita (a coincidência temporal dos dois actos, substituição no cargo e publicação do livro, permite até manipular o argumento da prioridade.
Nas vésperas do centenário da República, a crítica à que temos é sempre oportuna. Um odor discreto a controvérsia serve que nem uma luva tanto a razões editoriais como a propósitos menos imediatos.
Parece que há um livro de Manuel Maria Carrilho que é hoje distribuído. A publicidade está feita (a coincidência temporal dos dois actos, substituição no cargo e publicação do livro, permite até manipular o argumento da prioridade.
Nas vésperas do centenário da República, a crítica à que temos é sempre oportuna. Um odor discreto a controvérsia serve que nem uma luva tanto a razões editoriais como a propósitos menos imediatos.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Samuel Rama na Casa dos Patudos
Árvores, raízes, troncos, hastes e terra argilosa ganham novas formas, texturas, cores e posição na antiga adega da Casa que José Relvas mandou construir na lezíria ribatejana.
Sofia Leitão na Casa dos Patudos
Os tesouros de arte e afecto que José Relvas reuniu nas salas da sua Casa dos Patudos assomam à varanda, escorrendo pelas frinchas das portadas.
domingo, 19 de setembro de 2010
sábado, 18 de setembro de 2010
É proibido rebuscar
Código de Posturas da Câmara Municipal do Concelho da Sertã (1896)
Capítulo XVIII
Artigo 126º
É proibido rebuscar, ainda mesmo com licença dos proprietários ou possuidores dos prédios, sob pena de 500 réis:- Nos olivais desde 15 de Outubro até que a Câmara autorize o rebusco por meio de pregões ou editais;
- Nos soutos desde 15 de Setembro até 30 de Novembro;
- Nos sobrais, azinhais ou terrenos plantados de carvalhos desde o 1º de Dezembro até 31 de Janeiro.
§ Único. Sendo em dia de tempestade ou nos dez dias imediatos, a pena será o triplo da acima estabelecida.
Artigo 127º
Todo o indivíduo que for encontrado, no tempo em que é defeso rebuscar, com objectos evidentemente apropriados ao rebusco, sem que justifique a necessidade de levar aqueles objectos ou tendo por hábito rebuscar, incorre na multa de 500 réis.Artigo 128º
Todo aquele que for encontrado com objectos rebuscados incorre na multa cominada no artigo precedente, e os objectos serão entregues aos proprietários, se puderem conhecer-se, e , no caso contrário, aos provedores das misericórdias das respectiva áreas, revertendo o seu produto em benefício daqueles estabelecimentos; sendo aqueles objectos conduzidos pelos infractores.Artigo 131º
Na multa de 500 réis incorre aquele rebuscador que, ao tempo em que é permitido o rebusco, subir às árvores ou usar vara par bater nas mesmas.Jean-François Millet (II)(1814–1875) Des glaneuses (1857), Musée d'Orsay.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
"Is you me"
Hoje passa também o 5º aniversário do Vila Flor, uma das estruturas culturais mais prestigiadas do país. Não podendo estar presente no "Parabéns a você", felicito aqui todos os que nele trabalham, na pessoa de José Bastos, e a principal responsável pela sua criação, a vereadora Francisca Abreu.
Piaff
La foule
Je revois la ville en fête et en délire
Suffoquant sous le soleil et sous la joie
Et j'entends dans la musique les cris, les rires
Qui éclatent et rebondissent autour de moi
Et perdue parmi ces gens qui me bousculent
Étourdie, désemparée, je reste là
Quand soudain, je me retourne, il se recule,
Et la foule vient me jeter entre ses bras...
Suffoquant sous le soleil et sous la joie
Et j'entends dans la musique les cris, les rires
Qui éclatent et rebondissent autour de moi
Et perdue parmi ces gens qui me bousculent
Étourdie, désemparée, je reste là
Quand soudain, je me retourne, il se recule,
Et la foule vient me jeter entre ses bras...
Emportés par la foule qui nous traîne
Nous entraîne
Écrasés l'un contre l'autre
Nous ne formons qu'un seul corps
Et le flot sans effort
Nous pousse, enchaînés l'un et l'autre
Et nous laisse tous deux
Épanouis, enivrés et heureux.
Nous entraîne
Écrasés l'un contre l'autre
Nous ne formons qu'un seul corps
Et le flot sans effort
Nous pousse, enchaînés l'un et l'autre
Et nous laisse tous deux
Épanouis, enivrés et heureux.
Entraînés par la foule qui s'élance
Et qui danse
Une folle farandole
Nos deux mains restent soudées
Et parfois soulevés
Et qui danse
Une folle farandole
Nos deux mains restent soudées
Et parfois soulevés
Nos deux corps enlacés s'envolent
Et retombent tous deux
Épanouis, enivrés et heureux...
Et retombent tous deux
Épanouis, enivrés et heureux...
Et la joie éclaboussée par son sourire
Me transperce et rejaillit au fond de moi
Mais soudain je pousse un cri parmi les rires
Quand la foule vient l'arracher d'entre mes bras...
Me transperce et rejaillit au fond de moi
Mais soudain je pousse un cri parmi les rires
Quand la foule vient l'arracher d'entre mes bras...
Emportés par la foule qui nous traîne
Nous entraîne
Nous éloigne l'un de l'autre
Je lutte et je me débats
Mais le son de sa voix
S'étouffe dans les rires des autres
Et je crie de douleur, de fureur et de rage
Et je pleure...
Nous entraîne
Nous éloigne l'un de l'autre
Je lutte et je me débats
Mais le son de sa voix
S'étouffe dans les rires des autres
Et je crie de douleur, de fureur et de rage
Et je pleure...
Entraînée par la foule qui s'élance
Et qui danse
Une folle farandole
Je suis emportée au loin
Et je crispe mes poings, maudissant la foule qui me vole
L'homme qu'elle m'avait donné
Et que je n'ai jamais retrouvé...
Et qui danse
Une folle farandole
Je suis emportée au loin
Et je crispe mes poings, maudissant la foule qui me vole
L'homme qu'elle m'avait donné
Et que je n'ai jamais retrouvé...
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Gestão Cultural na ESAD das Caldas da Rainha
Chegou ao fim o longo processo de criação e abertura do primeiro curso de Mestrado em Gestão Cultural na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, do Instituto Politécnico de Leiria. Para os professores que se empenharam neste projecto e para os candidatos que responderam positivamente ao repto este é um momento significativo. Há um entusiasmo que para muitos está associado a um desafio inteiramente novo nas suas carreiras e até nas suas vidas. A área deste mestrado é pioneira. Há 20 anos, quando a Esad abriu as suas portas aos primeiros alunos, viveu-se um ambiente semelhante e uma idêntica convicção de que se estão a dar passos num caminho ainda pouco trilhado em Portugal. Vamos colocar em comum o que sabemos e o que sonhamos e tentar contribuir para mudar o modo de reforçar e recentrar o papel da cultura no espaço público.
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